Brasil atrai novas levas de trabalhador do exterior
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Brasil atrai novas levas de trabalhador do exterior

Pablo Pereira

20 Novembro 2011 | 08h51

No Século 19, ai pelos anos 1830/50, o Brasil viveu uma situação muito interessante, semelhante, em parte, ao que ocorre hoje, mais 160 anos depois. Precisava povoar sua imensa extensão territorial para crescer, se desenvolver, se proteger. E precisava, ainda mais importante, substituir a mão-de-obra escrava, que era uma mancha cruel na formação do País.

A escravatura foi combatida por dentro na elite agrária de então, que dava suporte às estruturas de Estado, e de fora por opositores ferrenhos, brancos e negros, como Joaquim Nabuco e Luís Gama, Castro Alves e muitos outros.

Foi então adotada, ainda no período Imperial, uma política de atração de imigrantes, com facilidades burocráticas de instalação para quem chegava ao País interessado em construir uma vida de trabalho. Entre vasta literatura sobre a formação brasileira, um livro que sempre é bom visitar é “Terras Devolutas e Latifúndio – Efeitos da lei de 1850”, da professora Lígia Osorio Silva (Editora da Unicamp, 1996).

Com uma extensa pesquisa – 192 documentos (relatórios, pareceres, anais do Senado, mensagens oficiais), 23 livros e folhetos e consulta a outros 108 autores -, ela esmiúça o tema e mostra um quadro acurado da época, inclusive com informações de um ilustre funcionário público daqueles dias no Serviço de Terras e Colonização: Machado de Assis.

Por agora, quase dois séculos depois, o País vive novamente uma onda de imigração e recebe levas e levas de estrangeiros que por aqui buscam oportunidades de nova vida. Em crescimento, em com baixas taxas de desemprego, o Brasil, mais uma vez, os recebe. E, mais uma vez eles estão vindo, na maioria, de Portugal.

Nos últimos dias, com ajuda de colegas (Liege Albuquerque, de Manaus, e Jamil Chade, de Genebra), apurei os números desse fluxo migratório incentivado pela especial posição brasileira na economia mundial e por toda a crise de emprego que se abate sobre a comunidade internacional, principalmente sobre os europeus. O material está publicado no Estado, em papel, e no site.

O pessoal “de fora”, principalmente da Europa e Ásia, que lá atrás optou pelo Brasil – e os africanos, que foram arrastados – teve papel fundamental no Brasil nesse tempo todo. As marcas são visíveis não só no ambiente que nos envolve, mas principalmente, e literalmente, na cara do Brasil.

A mistura, é evidente, não foi assim uma Brastemp. Foi dura, injusta, em muitos momentos, como na relação entre brancos e negros – e até com os asiáticos, que ao chegarem a São Paulo, do distante Japão, e foram alojados em terrenos considerados mico imobiliário à época por ter sido um cemitério – o bairro da Liberdade. Os negros, nem se fala. E os índios? Hoje em franca recuperação populacional, quase foram exterminados.

De uns anos para cá, e cada vez mais – mostram os números de 2011 do Ministério da Justiça-, os hispânicos sul-americanos se somam a essa babel Brasil. Além de toda a força de trabalho que essa população empresta ao País, há uma riquíssima montanha de idiomas e de hábitos, criando uma peculiar diversidade de modos de vida deste lado do mundo.

Breve teremos aqui, certamente, ensinadores de mais uma língua, o aimará, dos bolivianos, uma das comunidades que mais crescem em regularização, de acordo com os dados do Departamento de Estrangeiros. E também do creole, dos haitianos, que olham o Brasil como a salvação para a miséria e a tragédia que destruiu sua terra em janeiro de 2010.

Nestes tempos bicudos lá fora, sejam todos bem-vindos.

Executivo brasileiro Artur Fuchs, CEO da Efacec, que retornou ao Brasil após duas décadas no exterior e contrata especialistas em Portugal/FotoWerther Santana/AE

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O português Marcos Pereira, que chegou a São Paulo em junho para trabalhar na multinacional Efacec. “Brasil está no caminho certo”, diz./Foto Airton Vignola/AE

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