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Boto-cor-de-rosa do Amazonas é encontrado em rio do Amapá

Pablo Pereira

24 de agosto de 2021 | 14h34

Um estudo de pesquisadores ligados ao Instituto Mamirauá, da Amazônia, mostra que foram encontrados botos raros em águas de um rio do Amapá nas quais não se tinha confirmação científica da presença desses animais. Os bichos foram localizados no rio Cassiporé, na região do Oiapoque, que não tem ligação com rios do Amazonas. Os pesquisadores, que estudam a presença dos animais na região pelo menos desde 2018, agora querem entender qual o caminho feito pelos botos amazônicos até aquela região do Estado do Amapá.

Uma das hipóteses dos cientistas para o encontro dos golfinhos (boto e golfinho são o mesmo bicho) é que a migração desses mamíferos aquáticos possa ter ocorrido pelos mangues facilitada pela temporada das cheias. Outra possibilidade é que os cetáceos tenham chegado a esse rio que vai da floresta para a costa salgada tendo feito o acesso pelo mar. O rio Cassiporé não tem ligação direta com rios amazônicos. Ele vai de uma serra para o mar. Os botos podem ter chegado pelo Oceano Atlântico.

De acordo com o estudo, desenvolvido com WWF, Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) e Instituto Mamirauá, foi comprovada a existência de pelo menos três tipos do animal naquela área. São os já famosos e ameaçados botos-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), tucuxis (Sotalia fluviatilis) e botos-cinza (S. Guianensis).

“Os mapas de alcance geográfico da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) para Inia geoffrensis e Sotalia fluviatilis não reconhecem sua ocorrência em todo o Amapá no nordeste da Amazônia. Este estudo adotou uma abordagem biogeográfica em vez de hidrológica para avaliar a distribuição das espécies de botos-do-rio no Amapá. A pesquisa compilou dados de campo coletados de 2008 a 2020 e produziu mapas de distribuição / alcance geográfico para I. geoffrensis e Sotalia spp. no Amapá”, informa o documento dos cientistas Miriam Marmontel, Danielle dos Santos Lima, Claudia Funi, Valdenira Ferreira dos Santos e Marcelo Oliveira-da-Costa. A área analisada sofre pressão de desmatamento, de áreas agrícolas, da criação de búfalos, além dos garimpos que contaminam a água pelo uso do mercúrio na mineração.

 

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