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Boric e as dúvidas das esquerdas do continente

Pablo Pereira

20 de dezembro de 2021 | 12h26



A votação no Chile, que elegeu presidente Gabriel Boric Font neste domingo, 19, rejeitando o ultradireitista José Antonio Kast, é uma esperança para o eleitorado da esquerda chilena. Kast é um defensor da estupidez do general Pinochet (o sanguinário militar oportunista que morreu em 2006) e vinha articulando mandar nos chilenos desde a eleição passada, em 2017, quando foi também rejeitado. Sebastián Piñera, candidato de centro-direita, ganhou a eleição contra o sociólogo Alejandro Guillier. Estive no Chile à época para cobrir o primeiro turno daquela eleição. No mês seguinte, o empresário Piñera confirmou a vitória.

Dois anos depois, com a crise econômica se agravando, o país teve massivas manifestações que foram reprimidas com violência pelo governo de Santiago. Piñera saiu desgastado. E a esquerda parecia crescer novamente, o que também se confirmou agora com a vitória de um deputado, de 35 anos, ex-líder estudantil, o mais jovem mandatário da história chilena. E com recorde de participação popular neste segundo turno.

O esquerdista Boric vai ter de aprender a governar com minoria no Congresso e ainda aguentar a sombra de uma oposição de direita, que perdeu agora, mas seguirá ameaçando com um Kast reforçado por esta votação. Há áreas do país nas quais ele até venceu Boric. Duas questões, pelo menos, emergem da experiência eleitoral do Chile nesta histórica jornada de 19 de dezembro:

1- Boric e sua turma, com apoio da ex-presidente Michelle Bachelet, terão competência para devolver ao Chile um governo mais tolerante com as pessoas e com pegada para retomar bons resultados econômicos?
2- O que nasceu em Santiago neste domingo, resumido pelo poeta, é um rasgo de lucidez eleitoral que pode se refletir, por exemplo, em outros países do empobrecido continente?

 

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