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Bar, uma fonte de inspiração

Pablo Pereira

08 Fevereiro 2011 | 16h23

Escrevi outro dia sobre a mesa de bar e seus parceiros. Lembrei agora que basta o vivente sentar-se ao redor dela para que do fundo da alma lhe emerjam as mais brilhantes ideias – e algumas das mais estapafúrdias soluções humanas. À borda de uma mesa de bar o brilhantismo e a irresponsabilidade se dão bem e, lá no fundo, até se misturam.

Foi numa mesa de bar, em São Paulo, que certa vez tive a inspiração – que de nada me serviu até hoje – de escrever um guia que ligasse um escritor famoso e sua cidade. Por exemplo: a São Paulo de Oswald de Andrade: a Salvador de Jorge Amado; a Porto Alegre de Erico Verissimo; o Rio de Machado de Assis; a Sevilha de João Cabral de Melo Neto; a Nova York de Paulo Francis; a Lisboa de Fernando Pessoa; a Florença de Fiódor Distoiévski; a Buenos Aires de Jorge Luis Borges.

Enfim, um guia que tratasse do espaço urbano de cada um desses brilhantes sujeitos para que seus amantes literários pudessem visitar-lhes os hábitos, as memórias, sentir o arrepio de suas presenças – e com elas comemorar.

Como mesa do bar aceita qualquer coisa – e essa é a graça -, o negócio poderia criar vida e se transformar em outro bicho, como acontece nos sonhos. Já imaginaram Dostoiévski no Rio; Pessoa em Salvador;  Machado em Nova York; Borges em São Paulo?

Machado nunca deixou o Rio; Borges esteve em São Paulo poucas vezes, uma delas, em 1970, para receber um prêmio em dinheiro porque estava duro e em vias de criar mais uma despesa fixa, que hoje se chama doc. (o famigerado repasse mensal para uma ex-mulher). Aliás, esse assunto, por si, já ocuparia uma noite inteira no bar.

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