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As ‘fake news’, o ambiente digital, as crianças e a democracia

Pablo Pereira

03 de novembro de 2020 | 15h40

Os meios de comunicação profissionais sérios, casas de produção de conteúdo real e crítico, sempre tiveram um compromisso com a informação de qualidade. Buscam fazer o discernimento entre o verdadeiro e o falso. Neste momento, como nunca, a comunicação social tem a oportunidade de chegar a tanta gente. A disseminação do acesso aos telefones celulares e as facilidades do mundo digital abriram uma linha de contato amplo inédita com públicos de todas as camadas sociais e de todas as idades. Hoje, 2020, é possível chegar não só aos alfabetizados, aos adultos, mas às crianças que ainda não conhecem as regras básicas dos idiomas e que acessam esse mundo digital e ficam expostas a vídeos, desenhos e mensagens. Portanto, mais do que nunca, pela extensão das mudanças tecnológicas, os meios de comunicação social devem zelar pelo conteúdo de qualidade para contribuir com a formação de pessoas com capacidade crítica, senso de justiça social e discernimento sobre o que é real e o que é “fake”.
Para isso, é necessário que produtores de conteúdos, imprensa em geral, mas não só editores de jornais, revistas, TV, sites, mas também nos livros, tenham em conta que o futuro da sociedade está intimamente ligado a esta questão. São esses públicos infantis e juvenis que vão ser e fazer o mundo ali na frente. Um estudo de acadêmicos de uma universidade espanhola, com análise de publicações sobre esse assunto, acaba de ser lançado. Os estudiosos europeus pesquisaram mais de 700 fontes, das quais mais de 80 foram selecionadas para acompanhamento mais a fundo.

“O presente documento pode ser considerado o primeiro passo de uma pesquisa que explora três aspectos: como os usos da internet podem fomentar a cidadania ativa e a participação política; o desenvolvimento de uma pedagogia crítica no ambiente digital; e o estabelecimento de pautas para a educação social digital. A população jovem funciona como sujeito de estudo para a análise dos usos da internet, como receptor da pedagogia crítica e educação social digitais”, informa a introdução do documento “Educação social digital: uma revisão sistemática”, assinado por um grupo de quatro pesquisadores: Pedro Fernández de Castro, Víctor Sampedro, Daniel Aranda e Segundo Moyano. O texto do estudo pode ser encontrado no site da Universität Oberta de Catalunya (Universidade Aberta da Catalunha)  em catalão, espanhol e inglês.

“Realizamos uma revisão sistemática da literatura científica dos últimos cinco anos em assuntos relacionados com cidadania, alfabetização e educação social, com atenção nas vertentes digitais”, informam os pesquisadores.  “A pergunta no texto é como a internet e o ambiente digital influem na participação na esfera pública das sociedades democráticas e como motivam o compromisso político social e cultural da juventude”, diz o estudo. Há pelo menos três conclusões principais de destaque: a que a pandemia acelerou o processo, que uma educação social digital pode ajudar na inclusão e “empoderamento” dos jovens e, além disso, também pode fortalecer os princípios democráticos. Ou seja, é fundamental manter o conceito de cidadania digital conectado às noções do cotidiano “offline” das pessoas.

 

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