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As boas notícias da ciência

Pablo Pereira

15 de junho de 2022 | 07h48

O Brasil tem um conjunto enorme de coisa ruim, é mais do que sabido. Em diversas áreas. Posições de governo sobre indígenas e meio ambiente, patrimônios que poderiam ser aproveitados para geração de renda e desenvolvimento,  o desemprego, retração nos negócios, a miséria das pessoas, criminalidade, milícias e outras mazelas preocupantes, como cortes de investimentos na educação, baixo valor pago para bolsas de especialização.

Mas há coisas animadoras também. A excelência nas ciências médicas, por exemplo. Mesmo que o poder público federal se esforce para desqualificar a pesquisa, com suas políticas de segregação, baseadas em avaliações ideológicas equivocadas e até em práticas religiosas, cientistas mostram o caminho. A pandemia, com todo o cenário devastador produzido pelo coronavírus, ajuda a deixar isso mais claro.

Abnegado time da USP dedicado ao estudo da Sars-Cov-2, ao lado de técnicos da Fiocruz e do Instituto Butantan,  desenvolveram vacinas contra a virose, até então desconhecida, avançando na imunização. Agora, um grupo acaba de identificar, em horas, a cadeia genômica da temida varíola dos macacos e cria esperança no combate a mais uma moléstia angustiante. 

Os esforços da ciência na busca de oferta de soluções para tratamentos de saúde num País tão sofrido são evidentes. Escola Paulista de Medicina, da Unifesp, e Fiocruz, que são federais,  Hospital da Clínicas de São Paulo (HC), Incor,  Unicamp, estaduais, o próprio Instituto Butantan, pioneiro em outras pesquisas, também paulista, e outras instituições nos Estados, lutam para avançar em ciência em quadro adverso.

Pesquisa mostra que mais de 90% das pessoas quer saber das novidades da ciência. Os jornais abrem espaço de cobertura. Estudo recente, com dados da pandemia, aponta o interesse por ciência.

Em diversos campos, profissionais ‘brazucas’ são chamados para centros médicos de ponta no exterior e até pacientes de fora chegam para se tratar no Brasil. Há, sim, um mergulho de cientistas e da medicina em busca de controle de males – com sucesso. Quem circula pelo HC vê isso todo dia no intenso movimento daquela instituição. Vidas sendo salvas, gente sendo tratada, preservada, apesar de tudo parecer contra.

Há também os hospitais privados top de linha que se dedicam ao tema. Nos consultórios, médicos brasileiros mantêm práticas em níveis de primeiro mundo em várias especialidades. Da neuro à cárdio, sangue, ossos, transplantes duplos de órgãos  –  até implantes dentários contam com serviços de qualidade. Há uma atualização constante em relação a tratamentos avançados, com uso de novas drogas e medicações modernas, controle de cânceres, próteses cardíacas de qualidade na indústria, enfim. 

É tudo uma maravilha? Evidente que não. Medicina não é coisa barata, ao contrário. Desgraçadamente, o alto preço das consultas particulares é fator limitante para a maioria da população e impede o acesso imediato aos benefícios da alta especialização. A formação é igualmente cara. O País tem cerca de 600 mil profissionais habilitados. Há ainda que reduzir as taxas de erros médicos – que são dramáticos, abordados em estatísticas da Fapesp  sobre a crueza da situação. Dados da Federação Brasileira de Hospitais  também indicam que durante a pandemia, em 2021, houve aumentos de registros.  A judicialização também cresce e há forte debate sobre planos de saúde.  

Mas, no geral, os benefícios do conhecimento científico médico brasileiro acabam sendo compartilhados e  chegam à população via SUS e bancos escolares com instituições e profissionais que mantêm a preocupação não só em formar gente interessada em ganhar dinheiro com doenças, mas em praticar ciência de qualidade de forma a permitir o avanço do conhecimento para a ponta. Há, sim, um caminho.

 

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