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Algoritmos para defender a saúde da democracia

Pablo Pereira

09 de março de 2021 | 16h27

Premiada jornalista e escritora americana, Anne Applebaum tem uma curiosa visão da proteção da convivência do mundo democrático: ela acha que uma revisão dos algoritmos que balizam o uso das redes sociais na internet pode ajudar a melhorar a saúde da democracia. Applebaum, que está lançando o livro “O crepúsculo da democracia”, fez este raciocínio dias atrás em debate, promovido pela Fundação FHC e disponível no site da Fundação e no Youtube (links no final do texto), no qual fala da expansão dos grupos extremistas de direita no mundo.

O pensamento da escritora aborda um ponto que ganha força no debate político mundial, com reflexos no cotidiano das pessoas. Como faz também a entrevista feita pelo André Cáceres com Shoshana Zuboff, professora de Harvard, publicada nesta terça-feira, 9, aqui no Estadão. Zuboff também tem livro, “A Era do capitalismo de vigilância”, sobre o tema. Aliás, material de apoio para o documentário da Netflix “O  dilema das redes”, outra abordagem da expansão da tecnologia e do poder das chamadas “big techs” no espaço democrático.

Anne Applebaum. No debate na Fundação FHC, a escritora Applebaum comenta a necessidade de regulação da internet, mas vai além. Destaca a atual ação política do governo Biden sobre a doideira extremista de direita que Donald Trump tentou implantar nos EUA, mas não conseguiu – tanto que foi derrotado na eleição de novembro. Applebaum observa que, na Casa Branca, o democrata Joe Biden tem evitado falar de Trump e de suas estrepolias no poder.

Ou seja, Biden não vai dar palanque para o antecessor, que o eleitorado já rejeitou. Ele sabe que tem de isolar a bandalheira ameaçadora do discurso autoritário. Tem de trocar a agenda, mudar de assunto. Segundo a observadora americana, o novo presidente prefere abordar temas do futuro, falar de medidas na economia, de vacinação contra a covid, e outros assuntos, para mostrar que a agenda interna americana realmente mudou.

Se a lógica desse conjunto de ações do líder do Partido Democrata vai funcionar para reforçar as ideias democráticas, é preciso esperar para ver, diz ela.

Resistência. A pensadora ressalta, porém, que para o devolver o extremismo político ao espaço limitado de seus guetos é preciso haver ações concretas de resistência. Applebaum diz acreditar que democratas e liberais democratas foram, antes de 2016, muito “complacentes”, muito tolerantes, com o extremismo. Ela não cita casos, mas nem precisa. Em seu país, a invasão do Capitólio é evidência; no Brasil, vários exemplos: de casos recentes, que até provocaram reação do STF, à absurda pregação política do pensamento extremista do “matando uns 30 mil” – já mais antiga, mas que está aí, disponível na rede.

Mas Applebaum argumenta que a situação está mudando. Daí, a referência aos algoritmos. Para ela, há gente vendo as redes com outros olhos. Olhos de quem está pensando na saúde da democracia.

Para ver a íntegra do depoimento, que tem quase uma hora, acesse aqui.

Para ver com tradução simultânea, acesse https://youtu.be/ZoJwCMcQgFw 

Para ler a entrevista com Shoshana Zuboff, clique aqui.

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