Advogado haitiano trabalha como catador de frango no Paraná
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Advogado haitiano trabalha como catador de frango no Paraná

Pablo Pereira

22 Abril 2013 | 17h40

Acompanhando cidadãos do Haiti que tentam a vida no Brasil – trabalho que resultou em reportagens publicadas no Estadão nos domingos 14 e 21/04 -, encontramos no Paraná o haitiano Navius Saint-Paul, de 34 anos.

Para tentar a vida em português, Navius deixou Gonaíves, no norte do país. Advogado, ganhava a vida dando aulas de espanhol e francês. Ele hoje trabalha em Indianópolis, região de Maringá, como pegador de frangos na empresa GT Foods, a mesma que acaba de recrutar no Acre um grupo de 46 haitianos para aviários paranaenses.

Casado com Genese, de 31 anos, Navius é pai de Nagethanaelle, de 5 anos, e de Wilgena, de 3 anos. Ele sonha em trazer a família para o Brasil. “Queria saber como posso fazer para trazer minha família”, perguntava o haitiano, procurando as palavras em seu novo idioma, no final da quarta-feira, em Indianópolis.

No portão da Frangos Canção, uma das empresas do GT Foods, onde recepcionava compatriotas que chegavam do Acre para trabalhar nos aviários, Navius contou que é um dos haitianos que chegaram ao Brasil em 2012, por Manaus, e que fazem parte da primeira experiência da empresa com 10 imigrantes contratados em novembro.

Protestante, assíduo frequentador da Assembleia de Deus na cidade, já adaptado à vida na pequena Indianópolis, de cerca de 3,5 mil habitantes, Navius (que na foto de Filipe Araújo/Estadão está sentado diante de um laptop, acompanhado por haitianos) contou que na fuga do desemprego foi obrigado a morar um mês no Equador e outro no Peru – até conseguir o emprego no Paraná.

“Estou feliz aqui no Brasil”, contou o advogado, depois de cumprir uma jornada de 8 horas, iniciada às 22h da terça-feira, de catador de frango em um aviário. “Mas quero trazer minha família”, repetia.

“Mesi anpil”, disse Navius, ao final da entrevista, ensinando como faz agradecimento em creole, a língua nativa do Haiti.

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