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Administrador e metroviários não se entendem e contribuinte paga a conta

Pablo Pereira

24 de maio de 2012 | 09h30

Depois de perder 45 minutos dentro de um táxi e de ter de pagar R$ 36,80 por uma corrida de R$ 17, R$ 18, na região da Vergueiro, Zona Sul de São Paulo, no começo da tarde – vivendo uma irritação que certamente passou pela cabeça de, digamos, pelo menos 5/6 milhões de paulistanos que precisam de transporte para se deslocar na cidade -, fica a incômoda sensação de estar, mais uma vez, sendo enganado. E vem a vontade de abandonar a cidade, ir morar em qualquer outro lugar. Horas de uma greve de Metrô e trens e a manhã de sol se transforma numa enrascada!

Culpa de quem? Culpa do fracasso nas negociações do poder público estadual com os metroviários. O administrador público e o sindicato não se entendem no escritório por conta de acertos salariais e benefícios e o resto da massa (milhões), que já passa sufoco todo dia, paga a conta nos pontos de ônibus, nas estações de Metrô e CPTM, nos carros engarrafados, ou caminhando horas a pé na rua.

Quando um contribuinte infringe qualquer regra de convivência, com as quais muitas vezes nem concorda, é obrigado a pagar multas – além de arcar com os altíssimos impostos do dia a dia. É assim na democracia, argumentam. Tudo bem. Mas e na hora da contrapartida? Vale só o venha a nós? Ao vosso reino, nada?

Diga aí quem, em São Paulo, não caiu na farra da arrecadação no trânsito, dos seus radares marotos, de suas normas ultrapassadas, seu rodízio de placas que beira a extorsão? O rodízio de placas de carros desde sempre é a simples transferência do custo da incompetência dos governos da cidade (Gilberto Kassab e seus antecessores, entre eles os que estão hoje novamente em campanha – PT de Fernando Haddad e PSDB de José Serra) em planejar normas efetivas de controle de poluentes. Incapazes no serviço, mas empossados, claro, suas trupes de burocratas, com o aval dos chefes, usam a via mais fácil: mandam a conta para o modo de vida e o bolso do contribuinte.

É um absurdo que se conviva com isso há tanto tempo na cidade e não se veja que não se trata de outra coisa que não seja fazer a população pagar pela incompetência de décadas na administração pública em criar alternativas efetivas de se livrar da fumaça dos carros com obras de estrutura viária, transportes públicos eficientes e políticas de desconcentração demográfica. A fumaça, aliás, basta haver uma seca, continua sendo vista no horizonte da cidade.

Para terminar: de quem eu cobro pelo custo adicional de hoje (e nem vou falar nos demais dias preso no trânsito)? Com quem se fala lá na Secretaria da Fazenda para que devolvam o gasto que milhões de pessoas tiveram  com uma crise no transporte que o administrador não administrou?

(Texto publicado no Estadão Noite no iPad, edição de 23/05)