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Acervo na web, um golaço!

Pablo Pereira

20 de maio de 2012 | 03h37

Há uma afirmação muito comum no Brasil que é: “Brasileiro não tem memória”. Muito disso se deve àquele sentimento de “país do futuro”, um futuro que nunca chegava – e se você estava preocupado em olhar para a frente ficava, de certa forma, difícil de ver atrás. Mas o futuro chegou.

E chegou bombado pela internet, a rede que revoluciona hábitos, cria rapidamente fortunas como a dos bilionários Mark Zuckerberg, do Facebook, do visionário Steve Jobs, da Apple. Hoje a gente não sabe mais como é que se pode viver tanto tempo sem laptops, tablets, smartphones e penduricalhos como URLs, APPs, servidores, roteadores, sites, blogs –  coisas engendradas por nerds  e doidos do mundo de silício na Califórnia.

Pois, eu garanto: o futuro é agora, e brasileiros têm sim memória. E boa memória! Pergunte ao jornalista Edmundo Leite, um craque dos conteúdos na web, que dirige o Acervo de O Estado de S.Paulo, o preservado “arquivo” do jornal, ambiente carregado de história. Edmundo e seu pessoal acabam de concluir um dos mais importantes trabalhos em favor da memória nacional. Estão colocando na internet os 137 anos de publicações no jornal. Cada página!

É uma coisa fantástica! Um golaço! Não há no Brasil nenhuma iniciativa deste porte em se tratando de jornal. É uma centenária trajetória jornalística todinha na rede. O Acervo do Estado será lançado oficialmente na quarta-feira, 23, com a festança que lhe é muito justa. E a turma do Edmundo merece um 10 pelo que está oferecendo.

O professor Carlos Fico, da UFRJ, historiador, com quem conversei a respeito na sexta-feira, disse que é uma “contribuição com o País”. Tem razão. Na conversa que tivemos ele afirmou ainda: “Imagine um professor em sala de aula poder abrir as páginas do jornal e discutir com seus alunos os fatos ali noticiados?” Desde 1875! Quando ainda se vendia gente como escravo!

Fiquei imaginando um primo meu, Diogo Santos Silva, dedicado professor de história de São Paulo, navegando com seus alunos pelos acontecimentos do passado nas páginas digitalizadas do Estado. Ele, como todos os amantes da memória, da história, vai pirar.

Vai encontrar o registro diário de um mundo. Vai poder ver como se forjou um povo meio Friedenreich, a fascinante figura do futebol do começo do Século 20. E descobrir, além das guerras, crises, política, censura, economia e cultura, os ancestrais dos relatos “minuto a minuto”  de jogos que lemos hoje nos sites esportivos. Como aquele que garimpei em 2010, em páginas de 30 de maio 1919  do Estado, pesquisando ainda naqueles cadernões em papel amarelado.

 “Goal” de Friedenreich … 16,53 do primeiro tempo”.

Agora toda essa memória, como o “goal” do craque meio-alemão-meio-brasileiro contra o Uruguai, está na rede!

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