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A metrópole e o trem da história

Pablo Pereira

16 Abril 2012 | 12h00

Outro dia, na semana passada, percorri a Linha 11 –  Coral, da CPTM, o Expressão Leste, em horários de pico do carregamento de passageiros. Pela manhã, logo depois das 6h, do bairro para o Centro, e à noite, logo depois das 18h, da Luz, no Centro, para Guaianases.

O que encontrei foi muito desconforto de milhares de pessoas que precisam de transporte e sofrem com a superlotação dos vagões e as filas de embarque. As pessoas chegam às plataformas e querem embarcar. Hoje ninguém mais aguenta esperar 10, 15 minutos por um trem. E ainda viajar em pé, prensado, grudado aos demais, respirando o mesmo ar. Uma parte desse sufoco foi editado em um vídeo.

  Percorri também a Linha 9, que beira as Marginais, ligando a Luz com a populosa Zona Sul, e é considerada gargalo do sistema ferroviário. O resultado é o mesmo: no pico, gente demais, serviço público de menos, desconforto, irritação, reclamações. O material foi publicado no Estado com as reclamações dos usuários e as explicações do governo.

Fora dos horários de pico, no entanto, o sistema de trens, Metrô e CPTM, que em março atingiu a marca dos 7,1 milhões de passageiros transportados por dia, na média dos dias úteis, é uma excelente alternativa de ir e vir confortável. O problema, obviamente, não é o trem. O problema é a gestão, a falta de financiamento, as políticas, enfim, a administração pública que não encontra o ponto de equilíbrio entre a demanda e a oferta no serviço.

Rodei também nas linhas em horários de menor estresse. É quando o trem é uma boa solução para milhares e milhares de passageiros que percorrem distâncias mais longas, entre municípios da região metropolitana, penariam nos ônibus caso viajassem no trânsito.

No final de semana, na região do Vale do Paraíba, serra de Santo Antônio do Pinhal, vi também a linha férrea que atravessa as montanhas. Há bucólicas estações, tranquilas no silêncio das matas, charmosas, um contraste fortíssimo com o que ocorre na grande metrópole. Há muito é assim. Como mostra a viajem às origens das estradas de ferro no estado, feita em site por um time de pesquisadores do Arquivo Público do Estado.

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