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A cana, infâncias, encruzilhadas, veredas

Pablo Pereira

25 Setembro 2013 | 12h10

“A cicatriz não tenho mais;

o inoculado, tenho ainda;

nunca soube é se o inoculado

(então) é vírus ou vacina.”

(do poema Menino do Engenho, de João Cabral de Melo Neto, no livro A educação pela pedra e depois, Editora Nova Fronteira)

Quando eu era criança, nos anos 60, conheci os processos de produção de cana-de-açúcar em uma pequena propriedade rural da família. Mais tarde, quando cheguei à obra de João Cabral, gentileza do professor Timóteo Lopes, vi que o poeta pernambucano também conhecia o “ângulo agudo” da cana cortada na foice. A chuva sobre a terra nua e o vento nos canaviais das baixadas são visões inesquecíveis quando se tem tenra idade. Marcam mais do que o fio da folha verde-navalha e o “gume de uma cana” cortada do poema.

No meu tempo e pedaço (distantes em todos os sentidos dos do poeta genial), as lavouras do minifúndio dependiam em muito da assistência técnica de agrônomos. Eles eram uns tipos com poder papal sobre covas, mudas, eitos, arados e trilhos dos caminhões na soca. Conselho de engenheiro agrônomo era ordem! Máquina rasgando a terra, um sonho – tudo era manual, na canga, no braço. E a assinatura do gerente do Banco do Brasil, a salvação!

Outro dia, andando pelo interior paulista para o Estado, lembrei dos canaviais da minha infância – e da poesia do monumental João Cabral. As atuais fazendas de cana são quilométricas, produzem aos milhões de toneladas de açúcar e milhões de litros de álcool para um mundo muito mais ágil, mais complexo, mecanizado, computadorizado.

Com isso na cabeça, entrevistei em Matão um sujeito que também tem roça no sangue, Adelio Antoniosi – dono do divertido apelido de Morcego. Aos 54 anos, acostumado com o cheiro da terra e do açúcar, Adelio Morcego viu de repente a vida parar numa encruzilhada de lavoura. Inventor, escolheu logo uma vereda. E ficou rico!

Leia aqui a reportagem publicada no

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