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A bola e as divindades

Pablo Pereira

21 Janeiro 2011 | 16h44

Olhando a bola que Ronaldo usou nesta quinta-feira, 20, em São Paulo, para brincar com o filho menino, Alex, lembrei de texto de Jorge Luis Borges, o escritor argentino, que reli por estes dias. Borges escreveu, em 1951, e publicou logo depois no livro Outras Inquisições, o ensaio “La esfera Pascal”. Ele se diverte ao pensar em Deus como uma bola, lembrando do grego “Jenófanes de Colofón” (no idioma do escritor) e de sua divindade esférica.

“La esfera es la figura más perfecta e más uniforme porque todos los puntos de la superficie equidistan del centro”, escreve Borges, lembrando de Platão. Têm razão, os gregos e o argentino – que morreu em 1986.

 A bola que cativa o menino e o aproxima do pai, craque dos campos, tem a mesma forma da esfera perfeita. Quando é rolada nos gramados, ou na várzea, fascina. Quando cruza a linha do gol, sua aura invisível faz explodir nas massas sentimentos fortes, quase fundamentalistas. Prazeres olímpicos. Dores na alma.

Não é à toa que muitas outras coisas que têm ligação com os céus são redondas.

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