Milhões de pessoas no ar!
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Milhões de pessoas no ar!

Pablo Pereira

12 Fevereiro 2010 | 15h17

Outro dia, quando caminhava pela manhã numa área descampada do Parque Ecológico do Tietê, próximo de Guarulhos, fiquei por algum tempo observando os aviões entrarem em rota de descida na direção do Aeroporto de Cumbica. Lá iam eles, mudos no vazio, até sumirem por trás dos prédios. Um após o outro.

Gosto de aviões. Estejam eles no ar ou no chão; esteja eu dentro ou fora deles. Há anos, ao descer em Munique, achei engraçado encontrar um grupo de alemães num mirante ao lado do prédio principal do aeroporto. Eram curiosas famílias apreciando o sobe-e-desce. Quase diariamente vemos essa atração por aviões, também muito explorada no cinema, perto das cabeceiras de pistas aqui em São Paulo — e em outras cidades brasileiras.

 Movimento é o que não falta. Só em Cumbica, em 2008, os aviões roncaram 194 mil vezes para aterrissar ou decolar com 20,4 milhões de passageiros (chegando ou saindo). Esse número subiu em 2009: foram 209 mil descidas e subidas, com 21,6 milhões de passageiros, segundo as contas da Infraero. E a conta é feita assim mesmo: descidas + subidas; embarques + desembarques.

 Avião é fascinante. Tem gente que tem 100 anos e continua com medo de voar! E as tragédias das quedas, como as que recentemente abalaram o país e a cidade, sempre provocam traumas enormes. 

 Eu gosto de ver a tranquilidade dos pousos. Uma outra vez, num final de tarde, no Parque Villa Lobos, na Zona Oeste de São Paulo, contei o tempo entre a passagem dos aviões na direção de Congonhas: um minuto. Era o tempo de um passar e outro surgir do céu da região de Campinas.

Em Congonhas, 2008 teve 186 mil pousos e decolagens, com 13,6 milhões de passageiros. Aumentou o número de viagens em 2009 (193 mil), mas o número de passageiros ficou na casa dos 13,6 milhões.

Quando observava as aeronaves, gigantescas ou teco-tecos, voando contra o céu nublado de Guarulhos, lembrei de procurar imagens de aparelhos lá do início de tudo, no Campo de Marte. E encontrei algumas no Arquivo do Estado, numa seção dedicada a fotos de bairros.

Aviões se preparam no Campo de Marte em 1927/Arquivo Público

No Campo de Marte, que nasceu no ano de 1920 — retratado em 1927 (acima)–, o movimento hoje também é intenso: 2008 registrou 102 mil chegadas/saídas, com 270 mil embarques/desembarques. Em 2009 foi ainda mais: 104 mil saídas/chegadas e 312 mil pessoas indo e vindo.

No país todo, o número de pessoas no ar é uma grandeza. O Brasil teve, em 2009, 128 milhões de passageiros embarcando ou desembarcando de 2 milhões e 289 mil decolagens e aterrissagens. Quase 2,3 milhões de pousos e decolagens. Um movimento impensável para aqueles abnegados pilotos das avionetas da foto de Caio P. Barreto.