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Anos (…) de água e fracassos-2

Pablo Pereira

21 Janeiro 2010 | 19h59

A tragédia das águas em São Paulo e arredores vem de longa data. Os moradores da cidade e de sua região metropolitana parecem condenados para sempre à ineficiência da administração pública. E não dá nem para dizer que quem está no governo, seja ele local, estadual ou federal, e que tem o poder de manejar os orçamentos, é gente que nunca viu água suja na altura do peito dentro de casa e que, portanto, nada fará mesmo porque não conhece de perto o cheiro da urina dos ratos e nunca ouviu de madrugada os estalos do barranco forçando a parede dos fundos.

Outro dia, depois de assistir o filme de Fábio Barreto sobre a vida do presidente Lula, no “Lula, o filho do Brasil”, lançado no começo do mês, voltei ao livro de Denise Paraná para relembrar histórias da saga da família em São Paulo.

Há lá relatos que parecem muito com esses que hoje afligem tanta gente na periferia da metrópole: o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, teve a casa da família alagada quando era jovem, junto com seus irmãos e a mãe, dona Lindu. Há no filme de Barreto uma cena que retrata isso. E nos depoimentos do livro de Denise há muito mais detalhes.

Mas parece que não adianta mesmo. Nem com um presidente da República que já acordou à noite com a água pelo pescoço essa barbaridade se resolve. Vai continuar mesmo morrendo gente.

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