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O sonho da qualidade de vida

Pablo Pereira

11 Janeiro 2010 | 12h29

Um serviço público essencial para as cidades é o do transporte coletivo. Com tanta gente aglomerada na região metropolitana paulista, os ônibus e trens deveriam fornecer serviço decente, de qualidade. São Paulo é referência em muita coisa, oferece oportunidades de acesso à qualidade em diversos campos. É mesmo uma lástima que saia-ano-entre-ano e seus moradores e visitantes sejam obrigados a conviver com um atrasado sistema de transportes, sem um padrão mínimo de atenção com as necessidades de locomoção das pessoas.

Perdem os cidadãos, obrigados a viajar horas em latas de sardinha. Perde a cidade em autoestima quando obriga milhões de pessoas diariamente ao vexame desse transporte coletivo. Os usuários sofrem anos a fio. E, de tanto serem expostos a tamanho ridículo, com ele se acostumam, afinal a vida segue apesar dos administradores públicos. Mas é mesmo uma pena, para não dizer um escárnio.

Outro dia, conheci o sistema de transportes da cidade de Vancouver, no Canadá. Lá, o ônibus tem hora marcada para passar no ponto. É assim: o cidadão sabe que vai entrar no ônibus às 8h07 porque precisa estar no trabalho às 8h30. A criança sabe que seu ônibus vai passar no ponto às 8h36 e que às 8h55, no máximo, ela deve estar na sala de aulas. E pode contar com isso. Funciona.

 Há ônibus a combustível líquido, mas há uma extensa malha de ônibus elétricos nas ruas. Os motoristas usam alto-falantes dos ônibus para comunicação com os passageiros. Os modernos trens são amplos, com espaços até para ciclistas colocarem suas bicicletas. Nos trens, pasmem, não há catracas! As pessoas sabem que devem pagar pelo serviço – e pagam. Por 2,5 dólares, preço de um café expresso em qualquer esquina, o passageiro pode usar o sistema durante uma hora e meia.

 A cidade tem orgulho e respeito por seus ônibus e trens, integrados com barcos, os SeaBus, que charmosamente fazem a ligação rápida do centro com bairros do lado norte da cidade. Agradável, com frescor juvenil, criminalidade perto do zero, Vancouver atrai estudantes do mundo todo. Nesta época, a cidade está em festa porque se prepara para receber os jogos olímpicos de inverno, em fevereiro.

Nos últimos meses, os habitantes de Vancouver têm se vangloriado de um rótulo que qualquer um gostaria de ostentar: o de melhor cidade do mundo para se viver, título concedido em junho pela revista The Economist pela segunda vez consecutiva. E batendo grandes concorrentes, como Londres, Paris, Nova York. Não é pouca coisa. Um dia São Paulo, que no ranking da Economist está na posição 92, numa lista de 140, chega lá.