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Aclimação, passado chocante

Pablo Pereira

21 de dezembro de 2009 | 17h03

Outro dia, uma amiga do Garoa perguntou-me quando leria aqui algo sobre o bairro dela, Aclimação, belo lugar para se morar em São Paulo. Fui dar uma olhada nos escritos antigos para aprender sobre o assunto e encontrei coisas muito interessantes, outras chocantes.

Já sabia que o agradável bairro paulistano, que tem um belo parque com lago – que ultimamente anda fugidiço –fora uma das chácaras antigas nos arredores da São Paulo colonial.

Sabia também que ali foi construído um zoológico. E que abrigou um parque de exposições de animais, semelhante ao atual Parque da Água Branca, na região da Barra Funda. Foi criado à francesa. Aclimação foi área de aclimatação de animais.

O nome, claro, não escapou de uma prática que é própria da terra, uma encolhidinha de sílabas, e Aclimatação virou Aclimação.

Pois na aprazível Aclimação funcionou, no Século 19, também uma prática nada nobre, mas que fez escola — até os dias de hoje: os espancamentos de gente considerada fora da linha. Ou seja, tortura mesmo. Como aquelas largamente usadas nos porões dos governos militares ou como técnica de investigação em muita delegacia de polícia.

No caso da Aclimação, as vítimas descadeiradas a pau eram 0s negros escravizados. Era tanta brutalidade que, como lembra Levino Ponciano em seu São Paulo 450 anos, 450 bairros, o lugar era conhecido como Chácara Quebra-bunda.

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