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Carnaval: é ruim, mas é bom

Pablo Pereira

13 Fevereiro 2010 | 17h29

Uma boa noite de carnaval é quase sempre um convite a uma manhã insuportável, caso o sujeito tenha de sair da cama. Se ele seguir bem a receita da festa, como manda a cartilha, enfiar o pé na jaca e sapatear na dita cuja noite afora, pela manhã vai se encontrar na esquina da consciência com a desconciência, como diria Manoel de Barros, pedindo:  “por favor, me esqueçam”.

A maioria dos festeiros paga o preço — e de bom grado. Porque grande parte confia no próprio taco – ou no próprio fígado. E depois, claro, a gente vê o tamanho dessa conta! Tem gente que até acorda pela manhã, mas fica até o meio do dia sem saber bem por onde anda, o que vem a ser aquela claridade toda ou quem é aquele chato que insiste em lhe dirigir a palavra. É terrível. Só vendo! Ou vivendo.

E quando o sujeito ainda tem de defender o sustento, então! Aí é de lascar! Nada é pior do que uma agradável noitada no samba, regada com bebida geladinha, tudo mais o que se tem direito e, na manhã seguinte, com a cabeça oca, encontrar logo cedinho um cabra lhe cobrando tarefas, querendo isso e aquilo, dizendo como a coisa tem de ser feita ou apontando imperfeições (Que gente mala, cadê a minha cama!). O rei está certo: “Por que no te callas? ”

A situação só se resolve quando o coitado do ex-alegre, naquele momento o mais injustiçado dos humanos, admite que não vai dar para aguentar mais, respira fundo, vai passar uma água no rosto e pensa: dane-se, vou embora!

É a melhor coisa a fazer. Ir-se. Tomar umas águas de coco, procurar um aconchegante canto fresquinho, e desabar. Lá pelas 20h, quando o mundo já estiver escurinho de novo, e os instrumentos da percussão voltarem a fazer sentido, tudo estará bem. E aí, cara, vamos lá? O pessoal já está lá na concentração!

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