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Um ponto esquecido do Butantã

Marcel Naves

17 Maio 2016 | 18h42

O que deveria ser uma área de lazer hoje é motivo de medo; e o córrego existente é quase um esgoto a céu aberto. Estes são apenas dois dos muitos problemas que atormentam os moradores e comerciantes  do entorno da Praça Wilson Moreira da Costa, no bairro do Butantã, na zona oeste da cidade.

Criado em 2003, o local também abriga a EMEF Brasil-Japão e a UBS Dr. José Marcilio Malta Cardoso. Durante o dia, estudantes dividem o espaço com dependentes químicos. Os assaltos, segundo moradores e comerciantes, são constantes, e não raro acontecem em plena luz do dia.

Ouça o boletim da Blitz Rádio Estadão no Butantã aqui.

Os brinquedos existentes precisam de manutenção, e a grama rala está coberta pelo lixo. Os poucos bancos que não estão quebrados servem de cama ou abrigo a moradores de rua. Comerciantes e moradores dizem que já perderam a esperança de que alguma melhoria possa ser feita.

Proprietária de uma loja de móveis usados, Maria José lembra que a situação já esteve bem pior, e que agora qualquer mudança é bem-vinda. O motoboy Auro de Deus, que praticamente nasceu na região, diz que  a insegurança e a realização de obras desnecessárias estão por todos os lados. “Aqui é noia de dia e de noite, a todo o momento, sempre roubando os estudantes. A polícia quase não passa, mas o governo sabe construir uma ciclovia, por exemplo, que nunca foi usada”, afirma o morador.

O quadro fica ainda pior com a existência do córrego que corta a avenida Waldemar Roberto. Vizinhos do local afirmam que a correnteza, em dia de chuva forte, chega a arrastar animais, que acabam sendo levados pelas águas. Para Raimunda Ribeiro Lima, que mora há cinco anos em frente ao riacho, a situação é caótica. “Aqui vez e outra cai uma criança, inclusive já tivemos até casos de afogamentos. Mas fora isto tem pernilongos, ratos e tudo que é bicho que sempre acabam invadindo nossas casas, a gente não tem o que fazer”.

O subprefeito do Butantã, Ivis Lazarini, recebeu nossa reportagem e garantiu que em até 30 dias a situação estará resolvida. “Entre vinte e trinta dias toda a área estará limpa, vocês podem cobrar, se isto não estiver limpo a gente vai estar lá dentro com certeza”, afirma o subprefeito.

A respeito da falta de segurança, a Polícia Militar apenas emitiu uma nota onde esclarece que atua na região por meio do policiamento ostensivo, e preventivo, baseando suas ações na análise dos índices criminais e no planejamento estratégico.  Nossa reportagem esteve por pelo menos 5 horas consecutivas na Praça Wilson Moreira da Costa.  Durante todo este tempo, não registramos a presença de nenhuma viatura da PM.

Agenda. Nesta quarta-feira estaremos na Praça Vereador Antônio Sampaio, no bairro do Mandaqui, zona norte de São Paulo, a partir das 10 horas.