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Obras descaracterizam uma das regiões mais arborizadas de Santo Amaro

Marcel Naves

23 Maio 2016 | 21h01

O prolongamento da Avenida Chucri Zaidan e a construção do complexo viário Laguna/Itapaiúna tem tirado o sono dos moradores do Jardim Cruzeiro. Subdistrito de Santo Amaro, na zona sul da cidade, a região tem sido impactada pela execução do projeto. Logo no acesso ao bairro uma placa do Consórcio Panamby traz números que justificam a preocupação. Foram 320 árvores transplantadas, 482 cortadas e 924 preservadas.

Mas o balanço apresentando em letras garrafais parece estar longe da realidade do bairro. Ao circular por ruas e avenidas encontramos galpões abandonados, praças transformadas em canteiros de obras e muitos tocos no lugar de árvores. “Dizem que mais de 300 árvores foram replantadas mas nós não localizamos uma sequer”, afirma Priscilla Palma.


Mas a principal reivindicação diz respeito a implantação de um Parque, em uma área que hoje é utilizada pela subprefeitura de Santo Amaro. Iniciativa que motivou a criação do “Movimento Nosso Parque”. Willian Polidório, um dos idealizadores esclarece que se trata de uma reivindicação antiga, mas que agora se tornou fundamental para garantir o minímo de qualidade na região.

O local abriga alguns departamentos da prefeitura, como uma garagem, uma antiga usina de asfalto e um pátio com carros apreendidos. Os veículos quase todos sucateados são ideais para a proliferação do mosquito Aedes Aegypt. Elvia Orsi Cerqueira César reside na região desde 1979, para ela se trata de uma área que oferece grande risco a saúde. “O lugar tem carro velho pra todo lado e não existe qualquer cuidado. Nos dias de chuva a situação fica ainda pior”, diz Elvia.

A ponte da Laguna que integra o complexo viário foi inaugurada em maio de 2016, mas já apresenta irregularidades. Na ciclovia existente sob a ponte a pintura do solo está descascando. A ferrugem tomou conta da grade da segurança, e no acesso ao Parque Burle Max é comum surgirem trechos de alagamentos.

A equipe da Rádio Estadão entrou em contato com o Consórcio Panamby, que não quiz se pronunciar. Por telefone, um representante da empresa nos orientou a procurar o poder municipal. A subprefeitura de Santo Amaro até o fechamento desta reportagem também não se manifestou a respeito.

Agenda. Nesta terça-feira, 24, estaremos na Praça Vicentina de Carvalho, no alto de Pinheiros.