O problema dos animais em situação de abandono
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O problema dos animais em situação de abandono

Marcel Naves

21 de outubro de 2016 | 21h58

Cães cuidados por morador de rua, na Avenida Engenheiro George Corbisier, no Jabaquara.

Cães cuidados por morador de rua, na Avenida Engenheiro George Corbisier, no Jabaquara.

Em uma cidade como São Paulo é comum que cachorros sejam vistos perambulando livremente pelas ruas. Quer seja embaixo de viadutos, ou praças,  eles circulam sem qualquer restrição. Muitos, no entanto, estão doentes e outros acabam sofrendo com maus tratos. Um problema que parece não ter solução.

A ONG Cães sem Dono, surgiu há 08 anos, para incentivar à adoção de animais abandonados. Atualmente a organização possuí mais de 330 cachorros, tratados e a procura de uma família. Segundo Rafael Rodrigues, fundador da “Cães sem Dono”, a principal culpa é dos próprios donos. “São Paulo tem hoje cerca de 3 milhões de animais abandonados, 70 por cento esquecidos pelos próprios donos”, afirma.

Diante da omissão, muitos bichos acabam nas mãos de moradores em situação de rua. Mas várias  pessoas, como alerta o próprio Rafael Rodrigues, usam os animais para benefício próprio. Segundo ele, gente que acaba se aproveitando disto para pedir esmolas e rações .

Mas, existem exceções, como Rogério Benedito Moreira, 60, que há 40 anos vive nas ruas.  Morando em uma carroça, na Av. George Corbisier, no bairro do Jabaquara, ele cuida de 15 animais. Quando tem sobra de ração, em virtude das muitas doações, ele vende o excedente para conseguir algum dinheiro. “Hoje eu consegui carne, que estou fazendo pra eles, mas amanhã tenho de correr atrás”, afirma.

Luli Sarraf, da organização Celebridade Vira Lata, diz que a castração é uma importante forma de se resolver o problema. A frente da entidade, ela chega a promover cerca de mil cirurgias em apenas um dia. Mas, apesar do resultado, ela reclama da burocracia do Conselho Regional de Medicina Veterinária.  O CRMV, por sua vez, ressalta que cumpre apenas cumpre a  legislação .

Em nota o Centro de Controle de Zoonoses informa não ser possível  determinar a quantidade exata de animais abandonados na cidade. O órgão diz  que inventiva a esterilização do animal, e que existem  atualmente 08 clínicas devidamente habilitadas para isto.

Veja abaixo a íntegra da nota enviada pelo centro de Zoonoses de São Paulo:

“O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ-SP) informa que não há como mensurar o número de animais abandonados na cidade. Eles têm característica nômade, além do que, podem se confundir com os animais que têm proprietário (com acesso  à rua) e os comunitários. Abandono é crime previsto na Lei Federal de Crimes Ambientais 9.605/98, de competência dos órgãos de segurança pública.

 O CCZ-SP é um órgão de saúde pública e não de proteção animal. Efetua remoção de cães e gatos soltos em vias e logradouros públicos conforme determinação do art. 7º da Lei Municipal 15.023/09, ou seja, em casos de agressão comprovada com laudo médico da vítima, invasão a instituições públicas ou locais em situação de risco, bem como, nos casos de animais em sofrimento com doença incurável ou suspeita de transmissão de zoonoses de importância em saúde pública.

 O órgão tem como missão e atribuição desenvolver ações de vigilância visando à prevenção, proteção e promoção à saúde pública, atuando no controle das zoonoses, agravos causados por animais e doenças transmitidas por vetores, conforme as diretrizes do SUS.

 Castração

De acordo com o CCZ, para evitar crias indesejáveis e abandonos de cães e gatos, a Prefeitura incentiva o guardião responsável a esterilizar o animal. Há oito clínicas conveniadas para castração. A castração gratuita dá-se através do Programa Permanente de Controle Reprodutivo de Cães e Gatos.

O Termo de Encaminhamento para a cirurgia é emitido mediante a apresentação de RG, CPF, comprovante de endereço atualizado do proprietário do animal e do comprovante de vacinação contra raiva, quando houver. Nesse momento também é feito o Registro Geral do Animal/RGA gratuitamente. Não é necessário levar o animal.

São cadastrados, para castração, até dez animais por proprietário que, necessariamente, tem de ser domiciliado no Município de São Paulo.

Após a retirada do Termo de Encaminhamento, o proprietário fará contato telefônico com a clínica veterinária escolhida, dentre as contratadas pela Prefeitura, para agendar a data da cirurgia, ocasião em que receberá todas as orientações referentes à cirurgia e a vacina contra raiva, se necessário, que também é gratuita. No momento da cirurgia o animal receberá o microchip.

Adoção

O CCZ-SP também incentiva a posse responsável, através de festas e campanhas nas redes sociais.

A maioria dos animais disponíveis para adoção no CCZ-SP não possui raça definida. Há diversos cães e gatos Sem Raça Definida (SRD), de pelagem curta, longa, filhote, adultos, pretos, amarelos, brancos e alguns deficientes.

O processo de adoção começa com uma visita no canil ou gatil. Um funcionário mostra os animais disponíveis e faz algumas perguntas informais para estimular as pessoas a serem fidedignas nas respostas. Com o perfil do adotante estabelecido, o CCZ consegue recomendar um perfil de animal que já conheça para propor à pessoa. Após escolha do animal, o interessado é submetido a uma avaliação através de um questionário para garantir que o animal será adequado ao espaço físico e à composição familiar da nova casa. Depois, assina um termo de ciência e compromisso do adotante. O animal é entregue castrado, vacinado, microchipado, vemifugado e registrado.

Todo adotante do CCZ-SP tem direito a acompanhamento clínico e comportamental de 30 dias para o tratamento de doenças que eventualmente o animal pode ter encubado no período da adoção. Paralelamente, é feito acompanhamento por telefone e presencialmente de cada adoção, num período que pode levar de seis meses a três anos.

Serviço

Os interessados em adotar ou retirar o Termo de Encaminhamento para castração devem comparecer ao CCZ (Rua Santa Eulália, 86, Santana, São Paulo – SP, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h e aos sábados das 9h às 15h).

Para retirar o termo não é necessário levar o animal. Para adotar, o interessado deve  levar coleira e guia para os cães e caixa de transporte para gatos, além de documentos pessoais como RG, CPF e comprovante de residência. A taxa pública é de R$ 21. É necessário ter mais de 18 anos.

Há outros postos de cadastramento funcionando para retirada do Termo de encaminhamento para a castração, de segunda a sexta-feira, das 9h às 15h (ressaltando que a SUVIS Parelheiros funciona a partir das 10h).

  • SUVIS Parelheiros (Rua Cristina Schunck Klein nº 23);
  • SUVIS São Mateus (Av. Ragueb Choffi nº 1400);
  • SUVIS Freguesia do Ó (Rua Chico de Paula nº 238);
  • SUVIS Ermelino Matarazzo (Av. São Miguel nº 5977);
  • SUVIS Santo Amaro/Cidade Ademar (Rua Maria Cuofono Salzano nº 185);
  • SUVIS Guaianases (Rua Francisco Pinheiro nº 179 – a partir das 8h);
  • SUVIS Mooca (Rua dos Trilhos nº 869);
  • SUVIS Cidade Tiradentes (Rua do Iguatemi nº 2751);
  • SUVIS Butantã (Av. Caxingui nº 658/656);
  • SUVIS São Miguel (Rua José Pereira Cardoso nº 193)”.

Ouça aqui a reportagem: