Na Bela Vista, moradores voltam a reclamar da Vai-Vai
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Na Bela Vista, moradores voltam a reclamar da Vai-Vai

Marcel Naves

18 Novembro 2016 | 16h55

Fachada da Vai-Vai, na Bela Vista, região central da cidade de São Paulo.

Fachada da Vai-Vai, na Bela Vista, região central da cidade de São Paulo

A escolada de samba Vai-Vai, uma das mais tradicionais de São Paulo, mais uma vez tem sido motivo de reclamações. As reivindicações de moradores são antigas, e os problemas apontados, recorrentes.

A principal queixa continua sendo referente ao som alto produzido não apenas pelos ensaios carnavalescos, mas também pelos  inúmeros eventos realizados durante a  semana. Segundo relatos, uma situação que não raras às vezes costuma entrar noite à dentro. O quadro se agrava porque ao  término das festas a algazarra toma conta das ruas e avenidas próximas.

Uma situação extremamente incômoda, principalmente para quem acorda cedo. Para o proprietário de um apartamento próximo, trata-se de uma questão grave que ninguém consegue resolver. “Têm os preparativos para o carnaval e as festas, além dos eventos, mas quando tudo parece ter acabado tem também o foguetório. A gente nunca tem tranquilidade”, afirma o estudante que prefere não se identificar.

Área ao ar livre, próxima a condomínios residencias é utilizada para eventos da Vai-Vai.

Área ao ar livre, próxima a condomínios residencias é utilizada para eventos da Vai-Vai

O trânsito em dias de festas se torna caótico, principalmente quando interdições são feitas. A funcionária de um condomínio, que também quer o anonimato, afirma que em dias movimentados na quadra, os moradores são obrigados a deixar o carro na rua, pois não conseguem entrar. “Quando eles interditam a rua de baixo, só dá pra entrar pela contra mão, e mesmo assim tenho de colocar cones na entrada, senão eles param na porta da garagem”, afirma.

Em um comunicado, a Vai-Vai informou que seus eventos são acompanhados de equipes próprias de limpeza e segurança. Quanto ao barulho, a instituição salientou que tem trabalhado para que seus ensaios acabem cada vez mais cedo.

A Prefeitura ressaltou que a agremiação possuí autorização para emissão de sons até às 22 horas. O informe segue afirmando que novas fiscalizações serão feitas.

Confira abaixo a íntegra da nota emitida pela Escola de Samba Vai e Prefeitura.

Vai-Vai

“Com relação a questão da sua pauta sobre barulho, lixo e violência causados pelos ensaios e festas da escola de samba Vai-Vai, segundo informações e reclamações de moradores ao jornal O Estado de SP e à Radio Estadão, a Presidência e Diretoria Executiva do G.R.C.S.E.S.Vai-Vai destaca o seguinte:

 – lixo: tão logo acabam os ensaios, semanalmente, há uma equipe pré-estipulada para realizar e providenciar com a maior brevidade possível a limpeza total do espaço onde são realizados os eventos, desde a captação e o ensacamento do lixo gerado, até a varrição de alguns dos principais pontos onde pode causar entupimento de bueiros e gerar consequentemente um maior alagamento das ruas, em caso de chuvas.

– violência: a questão das possíveis brigas aventadas como sendo em meio as nossas festividades, carecem totalmente de informações verídicas, pois não ocorrem dentro de nosso espaço, uma vez que temos uma empresa de segurança particular contratada há alguns anos, que gerencia desde a entrada do público pelas portarias com a costumeira revista em cada pessoa, monitora o andamento do evento, circula por todos os espaços para prevenir quaisquer situações constrangedoras que possam vir a ocorrer e a cada evento providencia um relatório de quaisquer demandas ocorridas. Salientamos que, com a presença de tal empresa de segurança especializada no contato com grande públco, há um bom tempo não ocorre nenhuma questão de maior vulto internamente ao evento. Na região expandida ou mesmo no entorno a escola não é da alçada da agremiação.

 – barulho: temos procurado a cada ensaio, reduzir nossos horários de término e alertado quanto a questão de fogos de artifício, uma vez que a escola propriamente dita não utiliza-se de tal material.

– cidadania: importante citar que a escola de samba Vai-Vai não é somente um ponto de cultura do samba, uma resistência de cultura popular, mas também gera e desenvolve diversos trabalhos sociais como entrega gratuita de leite, cursos e debates com a Fundação Getúlio Vargas, Fiesp e Sesc sobre empreendedorismo, ações de saúde com palestras preventivas, campanhas e exames com o Hospital A.C. Camargo e Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, dentre outros.

Finalizando, é de real importância destacarmos que a escola de samba Vai-Vai, a agremiação mais antiga do nosso Carnaval, celeiro de consagrados artistas e sambistas imortais, a mais vitoriosa com 15 títulos conquistados e já considerada um dos patrimônios da cultura brasileira, está no mesmo local há mais de 80 anos, sempre realizando os mesmos tipos de eventos, contribuindo sobremaneira e periodicamente com sua parcela de responsabilidade social junto a sociedade e engajando-se – nestes 86 anos de atividades profícuas – em todas as questões e ações que visam o engrandecimento da grande metrópole que é a cidade de São Paulo.

Sem mais para o momento, convidamos para uma visita e verificação “in loco” aos nossos eventos sociais, onde o público diverte-se com segurança e qualidade, e também uma visita à nossas ações de cidadania, onde a Comunidade presencia e participa constantemente”.

PMSP

“A Subprefeitura Sé informa que a agremiação carnavalesca citada tem autorização para a emissão de sons até as 22h, conforme determinado pela Lei de Zoneamento, em vigência desde março deste ano. Diante da denúncia, o local passará por fiscalização e, caso se comprove o descumprimento do horário, serão tomadas as medidas cabíveis”.

Ouça aqui a reportagem: