Moradores de rua invadem calçadas na zona norte
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Moradores de rua invadem calçadas na zona norte

Marcel Naves

27 Julho 2016 | 19h11

Barraca improvisada em plena calçada da av. Cruzeiro do Sul, na zona norte, serve de abrigo para moradores de rua doentes.

Barraca improvisada em calçada da av. Cruzeiro do Sul  serve de abrigo para moradores de rua com doenças graves.

As barracas montadas no canteiro central da av. Cruzeiro do Sul escondem uma realidade de medo e apreensão entre comerciantes e moradores. A situação vai além do consumo de drogas, das constantes confusões e do acúmulo de lixo. Muitas das pessoas que ocupam os abrigos improvisados com sacos plásticos estão doentes.

Uma travesti identificada apenas como Leila, visivelmente debilitada após o diagnóstico de uma pneumonia, aguarda há dias por atendimento médico. Ela tem HIV e, por isto, seu estado de saúde requer uma atenção maior. “A gente fica aqui e se não for a solidariedade de quem também está na rua a gente morre. De vez em quando aparece uma assistente social que promete que vai cuidar da gente, mas é só de vez em quando”, afirma.

Manoel Barbosa da Silva vive há cinco anos nas ruas. Vindo de Maceió, onde trabalhava como entregador de jornal, recentemente tomou conhecimento que tinha sífilis. Iniciou o tratamento junto à rede municipal de saúde pública, mas desistiu. “Olha, eu até comecei a tomar as injeções de penicilina, mas ai começou a faltar, então eu desisti, mas vou começar de novo pois está me nascendo umas feridas esquisitas”, disse.

Os comerciantes da região parecem não terem conhecimento dos problemas de saúde da região. A maior parte das reclamações diz respeito ao alto consumo de drogas no local. Os relatos dão conta de que isto tem motivado muitas brigas, que por  vezes chegam a terminar dentro dos estabelecimentos comerciais.

As reclamações também dizem respeito ao estado de conservação dos pontos de ônibus. Quem normalmente passa pela região se queixa do péssimo estado das paradas, sempre com muito lixo e até falta de cobertura.

Em um comunicado enviado por e-mail, a Prefeitura ressalta que atua diariamente na região, quer por meio de assistentes sociais ou demais ações preventivas. O órgão esclarece ainda que, se acaso forem constatadas as reclamações quanto aos pontos de ônibus, tudo será resolvido após uma vistoria feita pelos departamentos responsáveis.

Confira abaixo a nota encaminhada pela PMSP:

“A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) atua diariamente na região da Avenida Cruzeiro do Sul e em seus arredores por meio de orientadores sociais do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS). As ações são preventivas e durante as abordagens são oferecidos encaminhamentos para os serviços da rede socioassistencial como Centros de Acolhida. A aceitação é facultativa e o trabalho é permanente e sempre com a missão de convencê-los a deixarem as ruas.

A região conta ainda com uma equipe de Consultório na Rua, da Secretaria Municipal de Saúde, que diariamente oferece cuidados à saúde da população em situação de rua. Estes cuidados são prestados in loco pela equipe e em unidades de saúde deste território, com realização de exames laboratoriais, consultas médicas e atendimento multiprofissional na UBS Joaquim Antonio Eirado. Apenas nesta região, a equipe do consultório de rua encaminhou 75 pessoas para Ambulatório de Especialidades, 24 para CAPS Adulto, 74 para CAPS Álcool e Drogas, 27 ao Centro de Especialidade Odontológica, 44 ao Centro POP, 94 para CRAS/CREAS, 35 para Hospital Geral, 42 para Urgência e Emergência, 73 para Unidades Básicas de Saúde.
Zeladoria e pontos de ônibus

A Subprefeitura Santana/Tucuruvi realiza a limpeza diária da via, inclusive com três lavagens semanais (segundas, quartas e sextas). Até o final desta semana, a SPObras vai realizar vistoria na Avenida Cruzeiro do Sul para verificação de quais pontos estão sem indicação das linhas e fazer reposição necessária dos adesivos. Semanalmente, em média, 15% dos pontos de ônibus são vandalizados e tem seus adesivos arrancados”.

Ouça aqui a reportagem