Moradores da Vila Leopoldina reclamam de lixo e de ocupações nas ruas
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Moradores da Vila Leopoldina reclamam de lixo e de ocupações nas ruas

Marcel Naves

03 Novembro 2016 | 15h53

As barracas improvisadas por moradores em situação de rua ocupam o canteiro central da Av. Gastão Vidigal.

As barracas improvisadas por moradores em situação de rua ocupam o canteiro central da Avenida Gastão Vidigal

O canteiro central da Avenida Gastão Vidigal está praticamente tomado por moradores em situação de rua. Por quase toda a extensão da via, uma das mais movimentadas da zona oeste, é possível se deparar com barracas improvisadas com papelão, sacos plásticos e restos de madeira, além de muito lixo.

Para Humberto de Campos, presidente da Associação Viva Leopoldina, a região está abandonada. Segundo ele, nem mesmo as árvores que caíram após as fortes chuvas dos últimos dias foram retiradas. “Há uns 15 dias, depois dos temporais, uma árvore de pequeno porte caiu na Gastão Vidigal e até agora não foi recolhida”, afirma.

A dona de casa Sayki Oliveira mora na Avenida Mofarrej há cerca de 7 anos e reclama que a constante abordagem de pedintes causa grande insegurança.  Para ela, a Polícia Militar poderia se fazer mais presente na região.

Pilha de lixo existente na Av. Gastão Vidigal preocupa moradores.

Pilha de lixo existente na  Avenida Gastão Vidigal preocupa moradores, que reclamam da falta de limpeza da via

Os comerciantes afirmam que a situação é muito prejudicial, pois acaba afastando a clientela. Roger Sulivam é proprietário de uma loja de artigos para pesca e diz que a falta de limpeza é a principal questão. “A gente nem fecha e já tem gente a ocupando a frente da loja. Depois, durante a noite, isto vira um banheiro público”, diz o comerciante.

Na Avenida Imperatriz Leopoldina, outra importante via da região, o descontentamento está por conta do excesso dos buracos. Na Rua Aroaba, o problema está nos carros frequentemente abandonados.

Em nota, a Prefeitura informou que trabalha diariamente com a população em situação de rua com ações socioeducativas. Quanto à zeladoria, a PMSP informou que realiza serviços rotineiros de limpeza. A Secretaria de Segurança de São Paulo ressaltou que a PM atua na região, tanto no policiamento quanto no apoio às ações da prefeitura.  De acordo com o último balanço da instituição, de janeiro a setembro, 694 pessoas foram presas em flagrante. Procurada, a PMSP não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Abaixo seguem os comunicados  na íntegra:

PMSP

“Assistência Social

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) atua diariamente nas regiões citadas abordando e encaminhando moradores em situação de rua, por meio de orientadores sociais do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS). Com a finalidade de propiciar a saída do morador em situação de rua da região e promover o retorno ao convívio da família e da comunidade, o trabalho desenvolvido pelos orientadores é socioeducativo e consiste na identificação, aproximação, escuta e encaminhamento, das pessoas que aceitam, para os serviços da rede socioassistencial, como Centros de Acolhida.

É importante ressaltar que as pessoas são convidadas a ir para os Centros de Acolhida, mas a aceitação é facultativa.

Zeladoria

A Subprefeitura Lapa promove serviços rotineiros de limpeza, varrição e ações de Cata-Bagulho nas locais citados. A avenida Mofarrej recebe serviços de varrição às terças e quintas-feiras e aos sábados, enquanto as avenidas Imperatriz Leopoldina e Doutor Gastão Vidigal, diariamente. Cabe ressaltar que a área que engloba as vias citadas também é contemplada rotineiramente com ações de cata-bagulho, que ocorrem especificamente aos sábados, de acordo com a escala da subprefeitura.

Vale lembrar que a Prefeitura de São Paulo publicou em junho o decreto 57.069/2016, que torna ainda mais claros os procedimentos e o tratamento à população em situação de rua durante as ações de zeladoria urbana na cidade. Além de reforçar a orientação da gestão municipal de garantir direitos e tratamento digno a essa população, o decreto estabelece itens que podem ou não ser removidos das vias públicas”.

SSP

“A 2º Companhia do 4º Batalhão da Polícia Militar Metropolitana é a responsável pelo policiamento na região da Avenida Dr. Gastão Vidigal, faz o patrulhamento preventivo em apoio às ações da prefeitura para acolher moradores em situação de rua. A atuação conjunta das polícias resultou na prisão em flagrante de 694 pessoas de janeiro a setembro, além de 219 veículos recuperados e apreensão de 48 armas de fogo”.

Ouça aqui a reportagem.