Índios reclamam do grande número de cães em aldeia da zona norte
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Índios reclamam do grande número de cães em aldeia da zona norte

Marcel Naves

23 Janeiro 2017 | 21h42

Cães descansam em muro da Aldeia Jaraguá. Foto Créd.: Marcel Naves/Tirada com moto z play + hasselblad true zoom

Cães descansam em muro da Aldeia Jaraguá. Foto Créd.: Marcel Naves/Tirada com moto z play + hasselblad true zoom

A quantidade de cães e gatos da Aldeia Indígena do Jaraguá, na zona norte da cidade tem sido um problema. Os Integrantes da comunidade calculam que o total de animais existentes passe de 800. Os bichos vivem soltos e sobrevivem graças à atuação de Ongs.

A situação tem sido encarada como um problema de saúde pública. O coordenador e porta voz dos índios, Pedro Luiz Macena diz que se trata de uma questão há anos ignorada pelo poder público. Ele relata que os cachorros e gatos são abandonados pelos próprios donos, muitos ainda filhotes.

Entre os principais temores está o risco de doenças que possam vir a ser transmitidas pelas fezes e urina dos animais. Isto porque, segundo Pedro Luiz Macena são muitas às crianças que necessitam de atenção. “Tem muita criança aqui que brinca em meio a toda sujeira feita pelos cachorros. Nós estamos cansados de pedir a remoção”, afirma.

Calçada da Av. Raimundo Pereira de Magalhães sem acessibilidade e lixo. Foto Créd.: Marcel Naves/Tirada com moto z play + hasselblad true zoom

Calçada da Av. Raimundo Pereira de Magalhães sem acessibilidade e lixo. Foto Créd.: Marcel Naves/Tirada com moto z play + hasselblad true zoom

Avenidas esburacadas da região

No Bairro ao lado, em Pirituba, a principal reclamação diz respeito ao péssimo estado de conservação da Av. Raimundo Pereira de Magalhães. Um comerciante, que não quis ser identificado desabafa que as condições são tão ruins que o melhor é evitar passar por ela. “Vem ano e vai ano, e a situação por aqui continua sempre a mesma. Eu evito circular pela avenida”, diz.

Em vários trechos da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães não há calçadas. O mato e o descarte irregular de entulhos, assim como os buracos, estão presentes por praticamente toda à extensão.

O parecer da prefeitura

Em um comunicado a prefeitura disse que fará uma vistoria na avenida, até o fim desta semana, e assim realizar os reparos necessários.

O informe também ressalta que a remoção dos cães e gatos depende de autorização dos próprios índios. De acordo com o comunicado, isto só ocorre porque eles acabam criando vínculo com os animais, e passam a trata-los como seus.  A atual gestão disse ainda que presta serviços veterinários regulares na região.

Acompanhe abaixo a íntegra da nota:

“A Prefeitura Regional Pirituba/Jaraguá informa que a limpeza na Avenida Raimundo Pereira Magalhães é realizada semanalmente nos pontos viciados. Em relação aos danos mencionados, a regional fará vistoria até o fim desta semana. Sendo de atribuição da administração municipal, os reparos entrarão na programação de atividades de zeladoria. Em caso de constatação de responsabilidade de alguma concessionária, esta será acionada para os devidos reparos.

O Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo (CCZ/SP) desenvolve atividades de rotina na região da aldeia que envolvem atividades educativas e informativas, castração, vacinação, vermifugação, o atendimento veterinário e a microchipagem de todos os cães e gatos da localidade, visando a prevenção e o controle de zoonoses, a diminuição dos riscos e agravos à saúde publica e ao meio ambiente, bem como o controle da população de cães e gatos dessas comunidades.

A aldeia indígena Jaraguá apresenta peculiaridades que, somadas às vulnerabilidades próprias da população indígena, dificultam ainda mais a atuação do poder público e da sociedade na resolução do problema de abandono de animais. Os índios possuem vínculo com os animais que assumem como seus e estes não podem ser removidos ou cuidados sem a estrita autorização do proprietário, para evitar embates culturais. Desde o início das atividades no local, zoonoses diminuíram sensivelmente. Foram realizados exames sorológicos nos animais para diagnóstico das doenças Febre Maculosa Brasileira, Leptospirose, Leishmaniose e Raiva, com resultados negativos. Desde o início das atividades no local, zoonoses diminuíram sensivelmente. Foram realizados exames sorológicos nos animais para diagnóstico das doenças Febre Maculosa Brasileira, Leptospirose, Leishmaniose e Raiva, com resultados negativos. Foram organizados também mutirões de limpeza da aldeia, que resultaram na remoção de mais de nove caminhões de material inservível”.

Ouça aqui a reportagem

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