Desapropriações geram protestos na Zona Norte
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Desapropriações geram protestos na Zona Norte

Marcel Naves

05 Julho 2016 | 19h32

Obras do Hospital Brasilândia ocorrem há poucos metros de residências que ainda serão desapropriadas

Obras do Hospital Brasilândia ocorrem a poucos metros de residências que ainda serão desapropriadas.

A Construção do Hospital Municipal de Vila Brasilândia tem representado um grande problema aos moradores da Rua Augusto José Pereira. No local cerca de 40 imóveis serão desapropriados e até agora, segundo os proprietários, pouco ou quase nada foi explicado. Os donos das casas alegam não terem sido informados sequer do valor das indenizações.

Há pessoas que dizem ter gastado com reformas porque não tinham conhecimento das demolições. A moradora Jucilene Albuquerque de Souza,  de 47 anos, diz que há muitos anos reivindicava uma rede de esgotos e quando foi atendida iniciou as obras em casa. “Nós fizemos uma reforma e só ficou faltando  a pintura externa, pois até abril nos estávamos com pedreiro, por conta do esgoto. Eu tive de quebrar minha cozinha, tive gastos e agora?”, questiona.

As obras do prédio acontecem em ritmo acelerado e praticamente dividem espaço com as casas que serão demolidas. Em certos casos os andares são erguidos a poucos centímetros dos quintais. Outra queixa diz respeito ao barulho, que, de acordo com motoristas, ocorre o dia inteiro, sempre a partir das 7 horas.

Planta com detalhes do Hospital Brasilândia, na zona norte da cidade

Planta com detalhes do Hospital Brasilândia, na zona norte da cidade.

Procurada, a Prefeitura não forneceu  detalhes sobre as desapropriações, principalmente no que diz respeito às indenizações, prazos ou a existência de qualquer tipo de assistência aos moradores. Segundo o órgão, as obras do Hospital foram mudadas atendendo a pedido do Metrô, em virtude da construção da linha 06 – Laranja, e inicialmente as desapropriações não estavam previstas.

Em nota, o Governo do Estado de São Paulo afirmou que tanto o projeto do hospital, quanto da estação do Metrô sofreram ajustes que implicam na demolição de 44 imóveis. Sem mencionar valores, o comunicado esclarece apenas que os recursos necessários para a saída dos moradores já foram repassados a PMSP.

Abaixo segue íntegra das notas da Prefeitura e do Governo do estado de São Paulo.

PMPS

“As obras do Hospital Brasilândia passaram por alteração no projeto em atendimento a solicitação do Metrô (Governo do Estado), que precisa de parte da área para implantação da estação do Metrô – linha 6. O Governo do Estado celebrou convênio com a Prefeitura de São Paulo, e repassou R$ 14,3 milhões para as desapropriações. Inicialmente o projeto não tinha desapropriações previstas. A área é necessária para a construção do bloco técnico do hospital, acesso a nova unidade, além das obras do Metrô.
Os trabalhos de fundações e alicerces do novo Hospital Brasilândia foram concluídos, sendo que no Bloco A e C está sendo construída a primeira laje, e o no Bloco B está sendo feita a terceira laje. O novo hospital terá atendimento de primeiro mundo com abertura de 250 leitos, sendo 40 leitos de UTI; pronto-socorro adulto e pediátrico; quatro salas de emergência; 39 leitos de observação; pronto-socorro com atendimento 24 horas; clínica médica; clínica cirúrgica; anestesistas; ortopedia; ginecologia; neonatologistas; ambulatório adulto e pediátrico; centro cirúrgico, três salas de obstetrícia; centro de diagnóstico e salas de emergência”.

STM

“Os projetos, estudos, licenças e contrato de implantação da Linha 6 – Laranja foram realizados e firmados antes da contratação das obras do hospital municipal da Brasilândia. Ambos os projetos, da estação e do hospital, sofreram ajustes para acomodá-los à nova situação de implantação, o que exige a desapropriação de 44 imóveis complementares que se destinam a construção do hospital e do terminal de ônibus. O novo projeto foi custeado pelo Governo do Estado. Os recursos destinados às desapropriações necessárias para a execução do novo projeto foram enviados à PMSP na última sexta-feira (1°). O objetivo principal desse trabalho é oferecer à população da região a melhor condição de acessibilidade e saúde com a instalação de um terminal de ônibus e uma estação de metrô junto ao Hospital.
A Linha 6 – Laranja de metrô será implantada através de uma parceria público-privada firmada entre o Governo do Estado de São Paulo e a Concessionária Move São Paulo. Está prevista a construção de 15 estações, entre elas a da Vila Cardoso, na zona norte da capital”.

Ouça aqui a reportagem.