Depredação e denúncias em cemitério da zona leste da cidade
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Depredação e denúncias em cemitério da zona leste da cidade

Marcel Naves

02 Novembro 2016 | 20h00

Túmulo completamente depredado e abandonado no cemitério do Lajeado, na zona leste da cidade.

Túmulo completamente depredado e abandonado no cemitério do Lajeado, na zona leste da cidade.

No cemitério do Lajeado, em Guaianases, na região leste da cidade, o conserto de um jazigo pode sair caro. Isto porque, em todo o cemitério, com mais de 50 mil mts² a reforma dos túmulos só pode ser feita por uma pessoa.
Apenas o homem conhecido por Wellington estaria autorizado a fazer as intervenções. De acordo com João Carlos, professor e proprietário de uma campa, sem a tal indicação nada poder ser feito “O povo vem e rouba tudo, porta, vaso e quebram tudo, aí na hora que a gente vem arrumar não pode, apenas seu Wellington pode fazer alguma coisa”, afirma.

Nossa reportagem foi até à administração, onde conseguiu o contato do empreiteiro. Sem saber que estava sendo gravado conversamos com o tal Wellington, que confirmou ter a exclusividade dos serviços. O mesmo disse ainda que atua em outros cemitérios da cidade.

No local, a depredação e o vandalismo são comuns, e mesmo os túmulos apenas de alvenaria costumam ser depredados. A aposentada Marilena Vasconcelos Rodrigues, disse que o local onde parte da família está enterrada, é constantemente saqueado. “Já colocamos grades de ferro, madeira e até de cimento, mas roubam tudo! ”

Animais circulam livremente por entre os túmulos do cemitério.

Animais circulam livremente por entre os túmulos do cemitério.

A falta de segurança é outra reclamação recorrente entre os frequentadores do cemitério. A varrição não é feita de forma satisfatória, e animais como cães e gatos circulam livremente entre os túmulos.

Em nota a prefeitura informou que o cemitério do Lajeado não possui construtores credenciados, apenas profissionais autônomos e sem qualquer vínculo. Ainda segundo o informe, a segurança é feita pela Guarda Civil Metropolitana, sendo que desde o início do ano até agora foram registrados apenas 2 boletins.
Confira abaixo a íntegra da nota emitida pela PMSP:

“Os construtores de túmulos, assim como os jardineiros, não são servidores públicos, e sim profissionais autônomos cadastrados pelas próprias famílias no Serviço Funerário Municipal (como dispõe a Resolução 40/06 – FM). Como a Prefeitura não tem vínculo nenhum nessa negociação, os valores são tratados diretamente entre construtor e família. Um mesmo construtor pode executar serviços em mais de um cemitério, desde que esteja credenciado no Serviço Funerário Municipal. O credenciamento é importante para garantir que as famílias não contratem clandestinos ou não respeitem a planta da construção, que deve ser subscrita por profissional legalmente habilitado e inscrito no CREA e supervisionada pela Divisão de Fiscalização e Manutenção do Serviço Funerário Municipal.
No caso do cemitério Lageado, não há construtores credenciados porque quase não existe procura por esses profissionais; para se ter uma ideia, acontecem, no máximo, 5 sepultamentos por dia na necrópole, que é um dos menores cemitérios públicos de São Paulo (lembrando que 5 sepultamentos não representam 5 construções, pelo contrário, a maioria já acontece em túmulos construídos).
Caso a família possua um construtor da sua confiança e queira credenciá-lo, o concessionário apenas deve comparecer ao Serviço Funerário, de segunda a sexta-feira, das 08h00 às 15h30, à Rua da Consolação, 247 – 5º andar para receber as orientações completas junto ao Departamento de Engenharia do SFSMP.
Ainda, é importante ressaltar que os serviços de limpeza e conservação e reparação de muretas, túmulos e jazigos, são de responsabilidade dos concessionários dos terrenos e/ou de seus representantes. A administração dos cemitérios municipais não cobram taxas de manutenção, conforme o Art. 37 do Ato nº 326/32 e são responsáveis pela conservação e limpeza das áreas comuns.
A segurança de todas as necrópoles municipais é feita pela Guarda Civil Metropolitana, que efetua rondas diárias. De acordo com a administração do cemitério Lageado, desde o início do ano, houve apenas 2 boletins de ocorrência registrados pela equipe da necrópole, sendo um em fevereiro e outro em outubro, em um caso de vandalismo de lixeiras.
O Cemitério Lageado tem passado por mutirões de manutenção e conservação regulares; entre as ações estão a limpeza e varrição das quadras do cemitério, manutenção de gramados e limpeza de áreas comuns. Outro mutirão será realizado após Finados, para recolher folhagens, coroas e vasos deixados pelos munícipes durante o feriado. O Serviço Funerário do Município de São Paulo reforça a importância da colaboração de toda a população, para não descartar lixo fora dos cestos e lembrar-se de remover plásticos dos vasos, para evitar acúmulo de água”.

Ouça aqui a reportagem