Aviões ameaçam a Serra da Cantareira
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Aviões ameaçam a Serra da Cantareira

Marcel Naves

05 de outubro de 2016 | 16h31

Segundo moradores, a vegetação da Serra da Cantareira, está sendo prejudicada pela poluição emitida por aviões.

Segundo moradores  a vegetação da Serra da Cantareira  está sendo prejudicada pela poluição emitida por aviões

A vegetação muda, os animais estão desaparecendo e os moradores frequentemente acordam sobressaltados. Estes são apenas alguns dos problemas provocados na Serra da Cantareira, na zona norte, por uma rota de voo.

A situação fez até que uma ação civil pública fosse aberta junto ao Ministério Público Federal. Izabel Rapaso, uma das responsáveis pela iniciativa, lembra que a exemplo do MP,  já recorreu a várias instituições mas nada foi feito.

Para moradores mais antigos, como 0 aposentado Ermínio Urbano, que reside na região há mais de 20 anos, muita coisa mudou. Segundo ele, devido ao barulho os animais começaram a desaparecer. “Antigamente, tinha muita coruja por aqui, o meu quintal era cheio, mas agora a gente quase não vê, só de vez em quando”, afirma.

Fabio Mascriti, que há 4 anos mudou para Cantareira, para fugir da agitação de São Paulo, hoje diz que vive com problemas de saúde. “Eu só consigo dormir usando silicone no ouvido, e isto tem me dado muitos problemas inclusive depressão”, diz.

Diante da situação, os moradores se organizaram e criaram o Movimento SOS Cantareira. O principal objetivo é o de pressionar autoridades a mudarem o traçado atualmente utilizado pelos aviões.

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente informou que ainda não foi devidamente comunicada. Segundo o comando da Aeronáutica, a região da Grande São Paulo possui como fator limitador o posicionamento dos aeroportos de Guarulhos, Congonhas e Campo de Marte. Mesmo assim, a FAB destaca que tem buscado formas de conciliar as exigências do setor e a necessidade de reduzir os impactos para a população e o meio ambiente.

Leia a abaixo a integra das notas encaminhadas:

Secretaria Estadual do meio Ambiente.

“A Fundação Florestal não foi consultada nem comunicada pelo Departamento de Controle do Espaçamento Aéreo (Decea) sobre a alteração na rota dos aviões que chegam e partem do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos. Essa alteração ocorreu posteriormente à elaboração do Plano de Manejo do Parque Estadual Cantareira (PEC). 

Os possíveis impactos causados pelos ruídos sobre a fauna silvestre do PEC tendem a ser sanados com o atendimento às normas técnicas existentes, referentes aos níveis aceitáveis de ruído para o conforto acústico humano, uma vez que esta Unidade de Conservação está inserida em área urbana”.

Força Aérea Brasileira.

“A alocação das rotas das aeronaves precisa seguir preceitos de segurança do tráfego aéreo e a região da Grande São Paulo possui como fator limitador o posicionamento dos aeroportos de Guarulhos, Congonhas e Campo de Marte. Mesmo assim, o Comando da Aeronáutica tem buscado formas de conciliar as exigências do setor aéreo com medidas para reduzir os impactos para a população e o meio ambiente.

A partir de 2013, quando houve a reestruturação do tráfego aéreo na região, as rotas das aeronaves que pousam ou decolam do Aeroporto de Guarulhos foram posicionadas sobre áreas mais afastadas e mais altas das localidades habitadas. Com isso, rotas que sobrevoavam a cidade foram deslocadas para áreas de menor densidade demográfica, como a Serra da Cantareira. Dessa forma, foram atendidas solicitações da população.

Todos os voos que pousam na cabeceira 09 (próxima à rodovia Helio Smidt) do Aeroporto Internacional de Guarulhos passaram a sobrevoar a região da Cantareira. Em contrapartida, decolagens deixaram de afetar a área. Além de reduzir o ruído na área, a mudança também foi positiva em termos de qualidade do ar, pois a decolagem é a fase do voo com maior consumo de combustível e, portanto, de maior emissão de poluentes.

Vale salientar que a reestruturação de 2013 implantada pelo Comando da Aeronáutica, por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), marcou a implantação do sistema de Navegação Baseada em Performance – um dos mais modernos e seguros do mundo. A nova metodologia permitiu reduzir trajetos das rotas aéreas, com redução da emissão de CO2 e diminuição de ruído.

Para exemplificar, o uso da tecnologia e das novas metodologias de gerenciamento de tráfego aéreo permitiram reduzir em mais de 8 minutos a rota da ponte aérea Rio-São Paulo. Os procedimentos de subidas e descidas também foram modificados, agora realizados de forma contínua, em forma de uma longa rampa, diminuindo a potência utilizada pelos motores.

As medidas adotadas seguem rigorosamente as determinações da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), órgão das Nações Unidas que regulamenta o setor”.

Ouça aqui a reportagem: