O abandono da zona cerealista
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O abandono da zona cerealista

Marcel Naves

30 de novembro de 2016 | 17h42

Pilha de lixo existente na esquina da Rua da Alfândega com Fernades Silva.

Pilha de lixo existente na esquina da Rua da Alfândega com Fernandes Silva , na região cerealista.

Os preços em conta e a grande variedade de produtos continuam sendo os principais atrativos da zona cerealista. No entanto, o estado de degradação em que se encontra este, que é  considerado um dos mais importantes centros comerciais de especiarias do país, tem feito muita gente abrir mão de tais benefícios .

O trânsito caótico, o entulho, a sujeira das ruas e à atuação intensa de flanelinhas estão entre as principais justificativas para tal situação. Para a auxiliar administrativa Mariane Freitas, as oportunidades são incomparáveis, todavia o ambiente deixa muito a desejar. “Está tudo muito sujo, muito feio, e tem flanelinha pra todo lado”, afirma.

O descontentamento não fica restrito somente  aos consumidores. Os lojistas também se queixam da falta de varrição, e dos constantes alagamentos. “Toda vez que chove os bueiros entopem e as ruas ficam alagadas. A gente tem de ficar atento para que os ratos não entrem nas lojas”, afirma Roberto Romão, que é proprietário de um centro atacadista.

As vagas existentes na Rua Santa Rosa são reservadas por flanelinhas.

As vagas existentes na Rua Santa Rosa são reservadas por flanelinhas.

À atuação de flanelinhas na região é outro fator preocupante, pois  ocorre livremente, tanto que até as vagas existentes nas ruas costumam ser reservadas por eles. Os estacionamentos por sua vez são caros, alguns chegam a cobrar até 15 reais por hora. O trânsito é caótico, sendo comum que caminhões com mercadorias parem no meio da rua para descarregar.

Em nota, a prefeitura informou que realiza os serviços de limpeza e conservação periodicamente. O órgão também garantiu que a CET irá intensificar as fiscalizações na área. A Secretaria de Segurança de São Paulo ressaltou que a PM atua de maneira ostensiva na área. De acordo com a SSP, de janeiro a outubro deste ano foram presas 547 pessoas.  O informativo ainda orienta o motorista que se sentir  coagido por flanelinhas, que procure imediatamente um policial.

Confira abaixo a íntegra dos comunicados emitidos:

PMSP

 “A Subprefeitura Sé informa que os serviços de limpeza de bueiros na região do entorno do Mercado Municipal são executados a cada 15 dias. Diariamente são realizadas ações de varrição, limpeza e manutenção no local. Além disso, equipamentos como caminhões, varredeiras, mini-escavadeiras, carros pipas e cerca de 25m³ de água de reuso são utilizados na operação. As equipes também se dividem em três turnos para realizar nove varrições e duas lavagens por dia no local. Nesse trabalho são recolhidas aproximadamente 28 toneladas de resíduos diariamente.

A CET vai intensificar a fiscalização com agentes de trânsito na região para coibir estacionamento irregular de veículos e qualquer outro tipo de infração que prejudique a fluidez do viário e a segurança dos cidadãos”.

SSP

“A Polícia Militar informa que a 3ª Companhia do 13º Batalhão realiza o policiamento ostensivo e preventivo na Zona Cerealista, o que resultou na prisão e apreensão de 547 pessoas, na recuperação de 87 veículos e na apreensão de 27 armas de fogo, de janeiro a outubro deste ano. A PM orienta que o motorista que se sentir coagido por flanelinhas deve solicitar auxílio de um policial. Por essa razão, é importante acionar a corporação por meio do telefone 190 ou dos policiais que fazem ronda nos arredores. O STF, ao julgar o Habeas Corpus 115.046-MG, entendeu que a conduta do flanelinha, quando não há coação e, consequentemente, crime de extorsão ou constrangimento ilegal, não pode ser tipificada como contravenção do artigo 47, da Lei de Contravenção Penal”.

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