Zonas sul, leste e norte têm mais mortes de ciclistas

Segundo dados da CET, maior parte das 52 pessoas mortas no ano passado usava a bicicleta para ir trabalhar ou estudar

BRUNO RIBEIRO, CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

17 Março 2013 | 02h04

David Santos Sousa pedalava rumo ao trabalho, na zona oeste de São Paulo, quando foi atropelado na Avenida Paulista, perdendo um braço. O motorista fugiu sem prestar socorro. O crime, há uma semana, chocou a capital e reacendeu o debate a respeito da segurança de quem anda de bike no trânsito paulistano. Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que, como o jovem de 21 anos que teve o membro decepado, os ciclistas mais vulneráveis são os que usam a bicicleta para ir trabalhar ou estudar.

Segundo a CET, maior parte dos 52 ciclistas que morreram no ano passado nas ruas da cidade não estava a lazer. O número exato, contudo, não foi divulgado. Entre as vítimas, 12 eram estudantes e 15 tinham até 19 anos. As ocorrências foram registradas por toda a cidade, mas as zonas sul, leste e norte foram as que tiveram mais mortes. O que não significa que áreas do chamado centro expandido, beneficiada pelo maior número das ações públicas voltadas à utilização das bicicletas, ficasse livre de registros no ano passado.

Caso da própria Paulista, onde, em março de 2012, a bióloga Juliana Dias, de 33 anos, morreu atropelada por um ônibus. Ela estava indo trabalhar. Outros acidentes fatais com ciclistas no ano passado foram em vias como a Rua Itajobi, em Higienópolis, na região central, e a Avenida Dr. Gastão Vidigal, na Vila Leopoldina, zona oeste.

A cicloativista Renata Falzoni diz que "a esmagadora maioria" das pessoas que utilizam bicicleta na cidade não está passeando e o poder público ainda precisa investir em campanhas de educação para que motoristas respeitem mais os ciclistas que não estão em áreas dedicadas ao lazer, como as ciclofaixas, abertas aos domingos e feriados nacionais. "A ciclofaixa de lazer é ótima porque quebrou o paradigma que muitos tinham de que tudo é longe se feito de bicicleta, mas não pode ser a política em si. Ela tem de vir acompanhada de outras ações, como restruturação urbana, educação e diminuição imediata da velocidade dos carros."

A avaliação de que o uso das bikes vem subindo na capital paulista é partilhada pelo diretor de Planejamento da CET, Tadeu Leite Duarte. "A circulação por bicicleta está se transformando em um modal de transporte que tem permitido uma melhor integração com outros modais."

Períodos. Os domingos foram os dias da semana em que mais houve mortes de ciclistas em São Paulo no ano passado, totalizando 11 casos. As terças e quartas-feiras vieram em seguida, com 9 ocorrências cada, revelam as estatísticas da CET. A noite é o período em que mais mortes aconteceram: 18. Em seguida, vieram manhã (14 pessoas mortas) e tarde (13).

Entre as profissões das pessoas que perderam a vida estão administrador, autônomo, pedreiro e ajudante. Vítimas com mais de 40 anos somaram 25 casos, quase a metade do total registrado.

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