Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Temporal em SP causa 2 mortes e deixa 200 famílias desabrigadas

Vítimas são um bebê, que morava em favela na Água Branca, e uma idosa, que teve a casa destruída pela enxurrada no Limão

O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 15h36
Atualizado 21 Março 2018 | 17h10

SÃO PAULO E SOROCABA - O temporal que atingiu a capital paulista nesta terça-feira, 20, primeiro dia do outono, causou a morte de uma idosa e um bebê e deixou pelo menos cinco feridos e cerca de 200 famílias desabrigadas. A forte chuva causou desabamentos, quedas de árvores e a interdição de ruas e avenidas. Toda a cidade de São Paulo entrou em atenção para alagamentos e pelo menos 26 vias ficaram intransitáveis, entre elas a Marginal do Tietê, a Rebouças e a Avenida 23 de Maio. 

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O temporal começou na tarde desta terça-feira e se estendeu até a noite em algumas regiões. O desabamento de barracos na favela da Água Branca, na zona oeste da cidade, a região mais atingida pelo temporal, causou a morte de uma menina de 1 ano e 8 meses. Outras três pessoas ficaram feridas. “Foi uma cena horrível”, relatou uma mulher que há 38 anos mora na favela e não quis se identificar. “Parecia um dilúvio, a água veio de cima para baixo arrastando tudo.” 

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Segundo afirmam os moradores, o desastre começou após uma ponte de madeira, construída pela comunidade, arrebentar e ser arrastada pela força das águas. “A ponte saiu arrastando os barracos que ficam no córrego. Isso tudo era tomado por barraco”, disse a moradora, apontando para uma parte da margem onde não se vê mais nenhuma casa em pé.

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Segundo policiais, o bebê estava com a avó na hora do desabamento. As duas foram socorridas, mas a menina não resistiu. Outra criança ficou ferida, segundo a Polícia Militar, mas não teve identidade divulgada.

No bairro do Limão, zona norte da cidade, Vitoriana Leão, de 85 anos, morreu depois que a casa da família foi atingida pela enxurrada. Outras duas pessoas ficaram levemente feridas.

Desesperada para se salvar da enxurrada, a aposentada Maria Dolores, de 67 anos, correu ao perceber que os móveis da casa estavam sendo arrastados. Era por volta de 15h30. “Veio a geladeira, a mesa, veio tudo.” Entre os escombros, encontrou a mãe, cadeirante, já morta. “Tentei me salvar mas não consegui salvar a minha mãe. Foi muito rápido. Se tentasse fazer algo, morríamos as duas.”

Em entrevista ao Bom Dia SP, da TV Globo, o secretário adjunto das prefeituras regionais de São Paulo, Milton Persoli, informou que cerca de 500 pessoas ficaram desabrigadas na Comunidade Vila do Sapo, na zona oeste da capital. Segundo o secretário, elas receberam atendimento imediato da Defesa Civil durante a madrugada desta terça. Atendentes do órgão ainda estão no local para dar continuidade ao atendimento. 

Segundo balanço parcial do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura, a média de precipitação na capital foi de 28,1 milímetros até 19h50. As regiões mais afetadas foram as zonas oeste (49,4 mm) e centro (42,3 mm). A média de chuvas para o mês de março é de 175,5 mm. 

Até as 23 horas, o Corpo de Bombeiros registrava pelo menos 62 árvores caídas e 25 ocorrências relacionadas a pessoas ilhadas ou desabamentos. Carros eram vistos boiando em vários pontos da cidade e moradores circulavam com água até a altura do peito. 

 

Trânsito

A forte chuva também causou lentidão no trânsito. Vias importantes da cidade como a Avenida 23 de Maio e a 9 de Julho ficaram interditadas, no sentido do Aeroporto de Congonhas, na zona sul. O Túnel do Anhangabaú, na região central, ficou fechado por pelo menos meia hora. E a Rebouças, na zona oeste, e a Marginal do Tietê, na zona norte, ainda tinham pontos de alagamentos na noite desta terça.

Às 20 horas, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) apontava lentidão em 9,7% das vias monitoradas na cidade - valor acima da média superior para o horário, de 6,2%. 

A aposentada Rumely de Francischi, de 68 anos, lamentava o congestionamento no início da noite desta terça. “Fiquei uma hora e meia parada a 500 metros da minha casa”, disse.

Na Barra Funda, zona oeste, o trânsito travou. No fim da tarde, motoristas levavam mais de uma hora para andar cerca de um quilômetro e passageiros em ônibus preferiam descer e fazer o percurso a pé. As chuvas também causaram lentidão na circulação de trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e no Metrô. 

Clima

O temporal, diz a Climatempo, foi causado por uma frente fria. A previsão para esta quarta-feira, 21, é de pancadas de chuva e máxima de 29ºC. 

Temporais deixam feridos e cidades sob as águas no interior paulista

No primeiro dia do outono, chuvas fortes com raios deixaram ruas alagadas e ao menos duas pessoas feridas em cidades do interior de São Paulo. Em São Roque, um raio caiu próximo de um jovem que se abrigava da chuva em um ponto de ônibus, no km 7 da Rodovia Quintino de Lima, na tarde desta terça-feira. O rapaz desmaiou e caiu com o impacto, mas não foi atingido diretamente pela descarga, conforme o Corpo de Bombeiros.

Ele recebeu os primeiros socorros no local e foi levado, em estado de choque, para a Santa Casa de São Roque. A vítima permanecia em observação no fim da tarde.

Itu

Na Rodovia Castelo Branco, um carro aquaplanou e tombou no km 77, em Itu. Pelo menos uma pessoa ficou ferida e foi socorrida pelo serviço de resgate da concessionária. 

São Carlos

Um temporal deixou sob as águas parte da cidade de São Carlos, na tarde desta terça. A chuva forte com mais de uma hora de duração transformou as ruas em rios, encobrindo praças e jardins. Vários carros foram arrastados pela correnteza, que levou também sacos de lixo e detritos. A baixada do Mercado Municipal se transformou em um lago. O Córrego do Gregório transbordou e lojas foram invadidas pela água. Os alagamentos se estenderam pela Avenida Comendador Alfredo Maffei, atingindo as Ruas José Bonifácio, Jesuíno de Arruda, Geminiano Costa e Nove de Julho.

A Praça Itália e a rotatória do Cristo foram tomadas pelas águas. O núcleo da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) na Vila Isabel foi alagado. A enxurrada chegou a cobrir parcialmente alguns carros. Uma cratera se abriu na Avenida Trabalhador São-Carlense, perto do terminal rodoviário.

Com as ruas interditadas, o trânsito virou um caos. Muitas pessoas deixaram os carros na inundação e buscaram abrigo. O Corpo de Bombeiros mobilizou equipes para ajudar pedestres ilhados. Agentes de trânsito sinalizaram os pontos interditados para orientar os motoristas. 

Sorocaba

Em Sorocaba, as chuvas intensas, no fim da tarde, causaram alagamento em várias regiões da cidade. Na Avenida Três de Março, na zona leste, carros ficaram avariados no meio da inundação. Um trecho da Avenida São Paulo também ficou alagado. Houve inundações no Jardim Novo Horizonte e no bairro Nova Ipanema.

Parte do muro do Aeroporto Estadual de Sorocaba caiu, atingindo uma residência na Avenida Ipanema, zona norte, mas não havia informações sobre feridos. A cobertura do estacionamento do prédio da Câmara Municipal desabou, atingindo ao menos três carros.

Piracicaba

Em Piracicaba, a chuva com rajadas de vento derrubou árvores e um poste no bairro Santa Rita. Os galhos atingiram a fiação e causaram a queda da estrutura. A região ficou sem energia. A Defesa Civil isolou a área em que o poste caiu para a retirada da fiação. Os galhos de árvores danificaram também telhados de casas.

São José dos Campos

Em São José dos Campos, houve intensa queda de granizo e quedas de árvores na região central e no bairro Bom Retiro. Parte dos semáforos deixaram de funcionar, afetando o trânsito. /FELIPE CORDEIRO, FELIPE RESK, LUIZ FERNANDO TOLEDO, JOSÉ MARIA TOMAZELA, JÚLIA MARQUES, PAULO BERALDO E RENATA OKUMURA

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