X9-Paulistana leva a crise hídrica para o desfile no Anhembi

Banheira seca com 10 m de comprimento e um São Pedro gigante com preguiça de fazer chover estão em carro alegórico

Rafael Italiani, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2015 | 02h01

Uma banheira seca de 10 metros de comprimento, torneiras e chuveiros "sedentos", com as línguas de fora, e um São Pedro dormindo, com preguiça de fazer chover sobre os reservatórios de água da Grande São Paulo. É dessa maneira que a X-9 Paulistana, de Santana, na zona norte da capital, vai abordar a crise hídrica no desfile das escolas de samba, no Sambódromo do Anhembi.

Com 2.800 integrantes e o enredo Sambando na chuva, num pé d'água ou na garoa, sou a X-9 numa boa!, a agremiação espera resolver o problema nos mananciais de São Paulo atraindo a atenção dos céus.

"A chuva é um paradoxo e é isso que esse carro alegórico vai mostrar. Ao mesmo tempo em que ela é necessária para sobrevivência, pode causar estragos", disse André Machado, carnavalesco da escola.

A banheira, segundo ele, representa o Sistema Cantareira. "Lá em cima do carro, São Pedro, que sempre acaba levando a culpa, vai estar dormindo."

Tanto a X-9 quanto o carnavalesco afirmam já ter sofrido com as consequências da chuva forte na capital. Nos seis anos em que Machado esteve à frente do carnaval da Pérola Negra, agremiação da Vila Madalena, na zona oeste, enfrentou enchentes no barracão da escola.

A área fica sob o Viaduto Mofarrej, na Vila Leopoldina. O entorno costuma alagar durante as tempestades. "Já tive carnavais que foram prejudicados por causa disso. Em 2010, a chuva veio de madrugada e não deu para salvar o que já estava pronto. Perdemos muito tecido."

No carnaval do ano passado, a X-9 Paulistana diz ter sido prejudicada pela chuva acompanhada de fortes rajadas de vento e granizo. A escola ficou na 11.ª posição, a poucas colocações do rebaixamento. A justificativa para escolha do enredo deste ano foi justamente a tempestade de 2014.

A X-9 será a última agremiação a desfilar, na manhã de domingo, no dia 15 de fevereiro, fechando a folia paulistana.

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