Voluntário não resiste ao cansaço

Lama até os joelhos, camisa encharcada de suor e uma enxada enlameada aos pés. Por volta das 17h de ontem, Gabriel Alves Barroso, de 23 anos, cansou.

, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2010 | 00h00

Sentado numa pedra escondida no meio de uma casa em ruínas, o agente de viagens desempregado e voluntário de primeira hora no resgate de feridos e mortos no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, desabou.

Mesmo quando tentava explicar o que estava fazendo ali e as pessoas que procurava, Gabriel chorava. Mistura de cansaço e tristeza de quem havia trabalhado 14 horas na terça-feira e outras 10 horas ontem, antes de desabafar.

Gabriel queria ajudar a localizar os vizinhos e amigos da comunidade em que mora. Especialmente, o casal Agenildo e Luciana e seus filhos Kiki e Lucas. Eles moravam numa casa que foi varrida no desabamento. Foram as primeiras pessoas que ele procurou, mas até agora não encontrou vestígios deles.

Gabriel foi uma das pessoas que levantou uma geladeira e viu a cena devastadora de uma avó abraçada a duas netas ainda bebês. Todas estavam mortas. Ele volta a chorar ao contar o caso. / A.J.

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