Volume morto do Cantareira será usado a partir de 15 de maio, diz secretário

Questionado sobre possibilidade de racionamento, governador Geraldo Alckmin disse que medida não está descartada

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

10 Abril 2014 | 10h00

Atualizada às 21h26

VARGEM GRANDE PAULISTA - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) antecipou o uso da água do volume morto do Sistema Cantareira para o dia 15 de maio. A decisão de iniciar o racionamento na Grande São Paulo, no entanto, ainda não tem data marcada. Nesta quinta-feira, 11, Alckmin lançou em Vargem Grande Paulista a obra do Sistema São Lourenço, que vai buscar água no Vale do Ribeira para abastecer a região metropolitana.

As obras de captação do volume morto - cerca de 200 bilhões de litros de água abaixo das comportas dos reservatórios do Cantareira - estão 80% concluídas. Iniciada no mês passado ao custo de R$ 80 milhões, a intervenção estava prevista para junho, quando há o risco de esgotamento do volume útil dos reservatórios. Nesta quinta, a marca do sistema que abastece 14,3 milhões de habitantes caiu mais uma vez e chegou a 12,4%.

O uso da água do fundo do reservatório foi confirmado pela presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena. "Diante do quadro atual, é certo que vamos precisar de uma parte dessa água", afirmou. Ela confirmou que as obras devem ficar prontas entre o fim deste mês e o início de maio. "Pode ser uns dias antes ou alguns dias depois", disse.

Sobre o racionamento, Alckmin voltou a admitir sua possibilidade. "Não está decidido o rodízio, mas também não descartamos." Ao ser indagado sobre a razão de ter mudado de opinião, uma vez que antes não havia nem sequer admitido o risco de racionamento, ele disse que não houve alteração. "O discurso não mudou. O que eu falei é que nesse momento não há racionamento, mas ele não está descartado. Isso não quer dizer que vai ter rodízio."

O governador afirmou que a decisão, se for adotada, será técnica e baseada no monitoramento diário do sistema feito pela Secretaria de Recursos Hídricos e pela Sabesp. "Não vamos começar nem antes nem depois. Se precisar adotar o rodízio, será adotado no momento certo e será implementado da maneira que menos incomode ou atrapalhe as pessoas", afirmou Alckmin.

Eficiência. Dilma Pena disse que a crise hídrica na Grande São Paulo não é resultado de má gestão na Sabesp, como suspeita o Ministério Público Estadual (MPE). Promotores do Meio Ambiente abriram inquérito para investigar se o governo do Estado gerenciou mal os recursos hídricos do Cantareira.

"O Estado de São Paulo tem planejamento para as áreas de recursos hídricos e de saneamento. Nós vivemos neste ano um evento climático crítico sem precedentes, mas todo nosso pessoal está mobilizado para assegurar o abastecimento", disse a presidente.

Dilma afirmou que as medidas adotadas para evitar o colapso do Cantareira, como o uso da água de outros sistemas e a campanha do bônus, conseguiram manter a população abastecida. Ao defender o trabalho da Sabesp, ela afirmou que a transposição da água do Alto Tietê e do Guarapiranga foi possível porque a empresa fez a ligação entre os sistemas. "É nossa capacidade de resposta em um momento crítico. Quem não planeja é incapaz de apresentar os resultados que temos."

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