Vizinho de karaokê pensa até em mudar de bairro

Durante a noite, até as 6h, o engenheiro Pedro Lima Catalani ouve música. Mas não é uma escolha: em sua rua, no bairro do Limão, dois bares funcionam na madrugada com serviço de karaokê e canções ao vivo, que alcançam o 17° andar de sua casa. "Moro perto de uma escola de samba, mas são os bares que não respeitam horários de silêncio."

MÔNICA REOLOM, O Estado de S.Paulo

19 Março 2013 | 02h04

Catalani faz reclamações ao Programa de Silêncio Urbano (Psiu) desde janeiro de 2012. Até agora, não obteve nenhuma resposta. "Este ano pretendo me mudar, não só por esse motivo, mas com certeza o barulho influencia", afirma.

No centro da cidade, na Praça Roosevelt, os moradores enfrentam problema parecido. O presidente da Ação Local da Praça Roosevelt, Jader Nicolau Júnior, diz que manifestações, shows, bares e gritarias são reclamações constantes dos moradores. "Há uma barreira de concreto na praça que amplia o som, sobe para os prédios e se expande. Você escuta o som na sua cozinha."

Jader defende uma ação mais forte do aparato público: "Precisamos das autoridades, Prefeitura e GCM para estar cada vez mais unidos nesse combate".

O presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Portal do Morumbi, Celso Cavallini, é da mesma opinião. Ele lida diariamente com reclamações a respeito dos pancadões e músicas em postos de gasolina. Em carta anônima, os moradores pedem menos "músicas com palavrões".

Orientação. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouveia, diz que os postos de gasolina são orientados com regularidade semestral para que não sejam multados. "Pedimos um tratamento diferente após as 22h." Entre as recomendações, está não admitir carro com volume alto na porta das lojas. "Mas a gente não tem tanto poder", admite, ressaltando que os informes são apenas para orientação.

O diretor jurídico da Associação de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel/SP), Percival Maricato, ataca as regras do Psiu, que proíbe barulho após as 22h. "A lei do silêncio é a multa mais violenta do Brasil. R$ 30 mil não é multa, é confisco." Sobre os 1.300 militares que devem atuar na fiscalização do Psiu, o diretor defende que há crimes "piores" a combater. "Acho errado deslocar PMs para essa atividade. Os fiscais da Prefeitura são mais preparados." Ele ressalta, porém, que a insistência em perturbar deve gerar multa e bloqueio do estabelecimento.

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