Vistos por milhões, hits bombam no YouTube

Antes caseiros, clipes agora têm tecnologia de cinema, mansões e Lamborghinis

O Estado de S.Paulo

24 Março 2013 | 02h05

Funqueiros quase não aparecem na TV e são pouco conhecidos pelos formadores de opinião, condição que não os impede de fazer sucesso. O funk paulistano explodiu com vídeos no YouTube, inicialmente caseiros, que foram ficando sofisticados para serem vistos por milhões.

O clipe Onde eu Chego paro Tudo, do Boy do Charmes, da Baixada Santista, por exemplo, teve 24 milhões de acessos, mesmo patamar que o videoclipe do paulistano MC Guime, Plaque de 100 (que significa bolos de nota de 100). "Depois que uma música estourou no YouTube, a gente consegue trabalhar de seis a sete meses no circuito de shows", explica o MC Bio G3.

Na terça-feira, ele e seu parceiro, Backdi, lançaram o trabalho Vem com os Truta (sic), que em dois dias teve 34 mil visitas. O MC investiu R$ 60 mil na produção. Foram alugados dois Lamborghinis e uma mansão vizinha à casa da apresentadora Ana Hickmann. Eles usaram câmeras Red Epic, a mesma tecnologia de O Senhor dos Anéis. "Cinco milhões de acessos são números normais nos clipes de funk. Falamos em sucesso quando se aproxima dos 15 milhões", diz Bio G3.

Nascido e criado em Cidade Tiradentes, na zona leste, Bio G3 pode ser considerado um dos pioneiros do ritmo na cidade. Foi dele a iniciativa de falar com o então subprefeito do bairro, Renato Barreiros, em 2008, pedindo autorização para fazer festivais de funk. O sucesso de três festivais embalou o começo da virada funk em São Paulo.

Em 2011, Bio G3 percebeu que havia espaço para talentos e passou a investir na formação de novos DJs. Hoje, empresaria 27 artistas e tem uma casa de show em Cidade Tiradentes para mais de 2 mil pessoas. Os dois MCs que fazem mais sucesso em seu casting, Nego Blue e MC Dede, são também de Cidade Tiradentes. A cena funk deixou Bio G3 rico. Hoje, ele tem quatro carros, entre eles um BMW, um Camaro e um Sonata.

"Nos anos 1990, os raps surgiam na onda do protesto. Quando havia violência e crise econômica, eram a marca das periferias. O funk surge em outro momento. Há motivos para celebrar a fartura, o crédito, a democratização das marcas que antes eram inacessíveis. O funk ostentação celebra o consumo, sem negar a identidade da periferia", diz o sócio diretor da Data Popular, Renato Meirelles, que pesquisa o consumo da classe C.

Direção. Barreiros, primeira autoridade a incentivar o funk, também acabou se aproveitando da prosperidade do mercado e se tronou diretor de videoclipes de funk. Foi ele quem dirigiu Bio G3. Barreiros também fez um documentário sobre o funk ostentação, visto no YouTube por 675 mil pessoas. Na semana passada, estava gravando o clipe de MC Kelvinho em uma mansão no Guarujá, no litoral. Depois, Kelvinho gravou no Parque Belém, zona leste, simulando jogar golfe, estilo Tiger Woods. "O investimento em clipe aumentou pesado", diz Barreiro. / BRUNO PAES MANSO

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