Violência continua a ser o principal desafio

Mesmo oficial, evento foi cancelado; cantor diz que má fama de eventos o fez perder shows e promotor culpa uma minoria

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

14 Dezembro 2014 | 06h00

Apesar da parceria com órgãos de governo, um dos novos “rolezinhos” acabou sendo cancelado por medida de segurança. De acordo com o secretário municipal de Promoção da Igualdade Racial, Antonio da Silva Pinto, que assumiu a pasta em abril, o Comando da Polícia Militar entendeu que o clima da região onde o evento seria realizado, em São Miguel Paulista, zona leste da cidade, “não era propício”.

A recomendação para não realização do encontro foi feita pelo Ministério Público. “Nós acatamos a recomendação, em função de uma avaliação técnica da PM, de uma realidade local, com alto índice de violência”, explicou o secretário.

A violência continua a ser um empecilho para a transformação total dos encontros em eventos. MC Chaverinho viu os episódios de violência, como o arrastão no Shopping Metrô Itaquera, na zona leste, como uma “exceção”.

Cantor de funk desde 2007, ele explicou que os encontros se tornaram agressivos porque tiveram adesão de pessoas “mal intencionadas”. “A gente se divulgava nos encontros nesses shoppings, organizava eventos pelo Orkut. Íamos lá para cantar, fazer brincadeiras que viravam música.”

De acordo com o artista, a “má fama” dos rolezinhos fez com que perdesse shows e até dinheiro. “Eu fazia em média 20 shows por mês. De janeiro até abril deste ano, só fiz quatro. Agora é que começou a melhorar”, ponderou. “Acho que os contratantes de shows me viram como o organizador da bagunça”, lamentou.

Violência. A insegurança teve respaldo em uma série de episódios entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014. O primeiro registro de conflito foi em 14 de dezembro, no Shopping Internacional de Guarulhos, quando 23 menores foram detidos após praticarem arrastão em lojas. Segundo comerciantes, cerca de 200 jovens passaram pelo local gritando e “empurrando as pessoas”.

No Shopping Interlagos, na zona sul, 25 jovens foram detidos no dia 22 do mesmo mês. As lojas baixaram as portas. Na zona norte, o Shopping Metrô Tucuruvi também fechou as portas três horas mais cedo para evitar um dos encontros.

Mas o episódio mais violento foi no Shopping Metrô Itaquera, em janeiro. A Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar cerca de mil jovens que estavam no local. Lojistas novamente fecharam as portas. No mesmo dia, seguranças do Shopping JK Iguatemi barraram até funcionários, confundidos com os “rolezeiros”.

Futebol e roubo. O organizador de eventos Ricardo Sucesso compara o problema ao futebol. “É como no estádio. Todo mundo vai para assistir o jogo, mas sempre vai ter alguém que vai para brigar”, disse. “Nós vimos que não dava para continuar no shopping, não pelos jovens, mas por aqueles dez que só iam para roubar.”

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