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Vídeo de morte de traficante na internet deixa PM sob suspeita

Pedro Dantas / RIO - O Estado de S.Paulo

10 Junho 2010 | 00h 00

Imagens da execução foram parar no YouTube; gravação indica que tiro certeiro foi disparado de hospital abandonado

A divulgação de uma execução no site de vídeos YouTube mudou os rumos da investigação sobre a morte de um traficante no Morro da Fallet, em Santa Teresa, centro do Rio, ocorrida em setembro. A polícia, que atribuía o crime a uma desavença rotineira entre traficantes, agora não descarta o envolvimento de um atirador de elite da PM.

As imagens mostram um homem armado com um fuzil sendo atingido pelas costas, a 300 metros de distância, enquanto caminhava com dois comparsas. As vozes de três homens comemoram o disparo certeiro.

Divulgado na sexta-feira, o vídeo "Fallet nem viu de onde veio" parece ter sido filmado em um dos últimos andares do Hospital IV Centenário, abandonado há três anos. A vista dos fundos do prédio é para a entrada do morro. As vozes de pelo menos três homens são identificadas. Após o disparo, o atirador fala "Que delícia! Peguei mané".

Após a morte do traficante, no mesmo dia, a fachada do prédio foi metralhada. No local, um policial militar ficava de plantão para evitar invasões ao prédio, desocupado há três anos. O 1.º Batalhão de Polícia Militar do Estácio negou qualquer incursão da PM na favela naquele dia.

O traficante morto era Alex Martiniano da Silva, de 31 anos, gerente do tráfico no Fallet. Ele tinha oito anotações criminais, entre elas um homicídio, receptação de produtos roubados, porte ilegal de arma e pelo menos três passagens por tráfico. Segundo o delegado titular da 7.ª DP, Ricardo Codeceira Lopes, a versão oficial da morte de Silva é de que o criminoso foi deixado na porta do Hospital Souza Aguiar e morreu ao ser operado.

O instrutor em armamento, tiro e balística da Polícia Civil Flávio Pacca disse que o autor do disparo parece um especialista. "Pela distância e precisão, trata-se de alguém familiarizado com a arma, um rifle militar, policial ou de caça." Investigadores avaliaram que os homens escolheram o alvo aleatoriamente, pois não há identificação no vídeo.

TRECHOS

"Um, dois três, olha outro mané lá. Tá no muro, deixa ele parar. Olha o gordão, o gordão. Se liga só (...)

No alto ele fica sem cobertura. Cinco, quatro, três, dois (tiro)

Pegou um, pegou um, pegou um"

Vídeo. Assista às imagens da vítima sendo baleada

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