Prefeitura de Piracicaba/Reprodução
Prefeitura de Piracicaba/Reprodução

Verão registra deficit de 25% de chuva em região crítica por falta de água no interior

Falta de pluviosidade nessa época pode comprometer a vazão dos rios usados para abastecimento

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

19 Março 2018 | 17h42

SOROCABA – O verão termina nesta terça-feira, 20, com deficit de quase 25% no volume de chuvas, na região de Campinas, a mais crítica para abastecimento de água do interior de São Paulo. Do início de dezembro ao final de fevereiro, choveu 526 milímetros na região, abaixo do volume histórico de 688 mm, conforme estudo do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade de Campinas (Unicamp).

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O índice é o quarto menor desde que a estação climatológica do Cepagri iniciou a pesquisa, há trinta anos. De acordo com a pesquisadora Ana Maria Heuminiski de Ávila, as chuvas de verão abastecem os recursos hídricos e a falta delas pode comprometer a vazão dos rios usados para abastecimento.

“Temos 50% das chuvas anuais concentradas no período entre dezembro e fevereiro. Historicamente, a partir de abril elas ficam mais escassas. Nesse verão, tivemos muitos temporais, mas poucas chuvas localizadas, com vários dias consecutivos de instabilidade. São essas que alimentam os lençóis freáticos”, explicou.

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Conforme a pesquisadora, o verão mais crítico da série histórica, iniciada em 1989, foi o de 2014/15, quando o volume de chuvas na região somou 280,4 mm e ao menos 23 cidades tiveram de adotar o racionamento. “Houve uma crise hídrica sem precedentes no Estado, afetando drasticamente os mananciais. O problema é que nos anos seguintes, embora tenha chovido mais, os volumes ficaram abaixo da média.”

Em 2015/16, o volume foi de 608,4 mm e, no verão passado, de 585,5 mm. As temperaturas elevadas deste final de verão contribuem para o aumento na evaporação e no consumo da água.

Nível baixo

Na tarde desta segunda-feira, 19, a vazão do Rio Piracicaba, o principal da região, era de 85,8 metros cúbicos por segundo, conforme a medição do Sistema de Alerta a Inundações de São Paulo (Sais), abaixo da média histórica para o mês de março, de 126 m3/s. O Rio Atibaia, principal responsável pelo abastecimento de Campinas, estava com 20,5 m3/s, cerca de 20% abaixo da média.

De acordo com o Consórcio das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), desde a crise de 2014, as prefeituras estão sendo orientadas a ampliar as reservas de água para evitar o racionamento no período de estiagem.

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São Paulo

A capital paulista também esteve pluviosidade abaixo da média esperada para o período, com o total de 572,3 mm, o que corresponde a 79% da média sazonal, realizada desde 1961. O esperado, de acordo com a média histórica, era de 721,4 mm. 

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