1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Venceslau teme megarrebelião do PCC

Chico Siqueira, Especial para o Estado, Presidente Venceslau - O Estado de S.Paulo

01 Março 2014 | 02h 05

Receio na cidade em que estão presos os principais líderes, incluindo Marcola, é de que facção ordene motim e use visitas como reféns

A notícia da possível transferência de quatro líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) elevou ainda mais o clima de tensão ontem em Presidente Venceslau, onde estão detidos os líderes da facção criminosa, na P2. O receio é de que a facção ordene rebeliões em unidades controladas por ela, caso seus líderes sejam mesmo levados para o regime de prisão mais rígido.

O pedido de transferência de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, Cláudio Barbará da Silva, Célio Marcelo da Silva, o Bin Laden, e Luiz Eduardo Marcondes Machado, o Du Bela Vista, seria feito nesta sexta-feira pelas Secretarias de Segurança Pública e de Administração Penitenciária. A decisão foi anunciada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) após a divulgação de um plano de fuga audacioso, com uso de dois helicópteros, que o PCC havia planejado para este sábado.

Sem folgas. Ouvidos pelo Estado, que adiantou o plano no estadão.com.br, oficiais da PM, representantes do Ministério Público, agentes penitenciários e sindicalistas afirmaram que a possibilidade de motins ou de uma megarrebelião em presídios controlados pelo PCC deve ser levada a sério, e pode ser facilitada pelos horários de visita, mantidos para este sábado e domingo, pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).

"A segurança fica mais sensível porque as visitas dentro das unidades podem ser tomadas como reféns para a realização de motins", disse um oficial da PM. Ele revelou que o efetivo foi reforçado com homens de outras cidades e com a ajuda do Comando de Operações Especiais (COE), que mantém grupos de atiradores próximos do presídio, com a Tropa de Choque da PM. "As folgas também foram suspensas e nossos homens convocados para reforçar o patrulhamento", informou.

"O clima de tensão aumentou muito com essa notícia. Há essa possibilidade de rebeliões, mas não podemos negociar com bandidos. É preciso que se faça a transferência. É simples: se o detento não se comportou bem em uma penitenciária de segurança, ele precisa ser transferido para outra mais segura ainda", comentou um promotor criminal ouvido pela reportagem.

Queixas. Segundo o mesmo promotor, se a Justiça tivesse cumprido os pedidos de transferência de 35 líderes da facção, feitos pelo Ministério Público em outubro, a situação seria outra. "Este plano nem existiria", disse. O promotor também lembrou que o novo pedido feito pelas duas secretarias "nem precisaria ser feito porque está no Decrim o julgamento do mérito do pedido de prisão de 365 dias que o MP fez para Marcola e para Barbará", afirmou.

Agentes estão temerosos com a possibilidade de rebelião. "Muitos colegas estão nos procurando para saber como se comportar. Estamos orientando para que aumentem a atenção tanto dentro quanto fora de presídio. Essa ameaça de megarrebelião é bem real", disse o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado de São Paulo (Sindasp), Daniel Grandolfo.

  • Tags: