Bruno Ribeiro
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'Vejo o rosto dele nos outros', diz vítima de estupro na zona sul

Adolescente de 16 anos foi rendida quando ia para casa; cinco mulheres reconheceram acusado, preso no Brooklin

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

13 Setembro 2017 | 19h26

SÃO PAULO - Uma adolescente de 16 anos reconheceu, na tarde desta quarta-feira, 13, Claudio Aquino dos Santos Mariano, de 44 anos, como o homem que a estuprou no dia 26 de agosto no Jabaquara, zona sul de São Paulo. É uma das cinco mulheres que confirmaram à Polícia Civil ser Mariano o autor dos crimes. A investigação que terminou com sua prisão teve início após ele cometer três crimes no mesmo dia, sexta-feira passada

Sob condição de anonimato, a jovem relatou ao Estado como foi sua vida desde o crime. Chorou muito enquanto falava, e interrompeu a narrativa para se recuperar. Estava acompanhada da mãe e de um tio.

Ela passou a viver em outro bairro, na casa de parentes, e ainda tenta voltar à escola. A adolescente, que era virgem, estava em uma festa de 15 anos com o irmão, mas tinha decidido ir embora mais cedo. Decidiu pedir um Uber, mas seu celular deixou de funcionar. Caminhou então até um ponto de ônibus para voltar para casa. Foi abordada antes de chegar no ponto. Armado, ele a obrigou a entrar em seu carro. Leia seu depoimento: 

"Hoje revi toda a cena. Imaginei que isso só tivesse acontecido comigo. É uma coisa que me machuca muito. Como uma pessoa pode fazer isso? E ele me contou que era pai de família! Como uma pessoa que tem uma mulher dentro de casa e uma filha faz isso com uma menina? Isso é um absurdo. Na hora, eu tive muito medo - principalmente quando ele falava que ia me matar. Depois, quando passou, agradeci por estar viva, mas sentia muita raiva de mim. Olhava para o meu corpo e via ele encostando em mim, e isso me deu uma raiva muito grande - um nojo, sabe? Agora não sinto tanto, mas nas últimas semanas, eu sentia muito. Teve uma hora que ele engatilhou a arma, apontou para a minha cabeça e falou: ‘Nossa, quase disparou’. E ria. Foi aí que vi era de verdade. Sei que a culpa não é minha e ele é um porco. Contando o que aconteceu - porque isso acontece todos os dias, com outras mulheres e algumas não têm coragem de contar, - eu posso ajudar. Para prevenir com outras, achei melhor fazer boletim de ocorrência, contar e vir reconhecer. E espero que não aconteça mais. Porque não tem só ele, sei disso. Eu ainda tenho medo de sair na rua, fazer as minhas coisas, mas com o tempo estou voltando. Estou começando a fazer coisas que fazia antes, mas ainda sinto medo. Com ele preso, me sinto mais tranquila. Um pouco mais segura de saber que eu vou sair na rua e não vou mais vê-lo. Mas com medo de que tenham outros na rua. Não consigo chegar perto de homens. Não sei se é coisa da minha cabeça, mas vejo o rosto dele nas pessoas. Tem pessoas que chegam perto de mim e acho que vão me pegar.”

A reportagem não conseguiu contato com advogados do acusado para ouvir sua versão para as acusações de que é alvo.

 

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