Vândalos picham o Cristo Redentor

Pela primeira vez em quase 80 anos, bandidos escrevem frases nos braços, peito e rosto da estátua; para prefeito foi um ''crime de lesa-pátria''

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2010 | 00h00

A estátua do Cristo Redentor foi pichada pela primeira vez, às vésperas de completar 80 anos. Os criminosos escreveram frases por todo o monumento, como "onde está a engenheira Patrícia?" e "quando os gatos saem, os ratos fazem a festa". O prefeito Eduardo Paes (PMDB) informou que a limpeza já começou e levará dois dias. Ele classificou o ataque de "crime de lesa-pátria".

As inscrições foram descobertas quando a ministra do Meio Ambiente, Izabella Mônica Vieira Teixeira, e o prefeito sobrevoavam o Parque Nacional da Tijuca, que teve 283 pontos de deslizamento por causa da chuva. Os vândalos subiram pelos andaimes que cercam a estátua, para uma obra de restauro prevista para durar dois meses, e picharam braços, peito e rosto.

"Nós vamos descobrir o responsável pelo ataque. É inadmissível que, no momento em que a cidade está passando, alguém pense em fazer uma coisa dessas", afirmou o prefeito.

De acordo com o chefe do parque, Bernardo Issa, as oito câmeras da parte alta do monumento estão fora do ar desde o temporal. A segurança no Cristo é feita por empresa particular, mas os agentes não perceberam a movimentação. "A área é muito grande. E nós não esperávamos uma ação covarde como essa", afirmou Issa. Desde ontem, guardas florestais reforçam a segurança.

O delegado da Polícia Federal no Rio Nivaldo Farias de Almeida determinou que uma equipe da Delegacia de Meio Ambiente e peritos fossem ao Cristo para averiguar a estátua tombada. A Polícia Civil investiga o caso.

Choque. Antônio Celso Franco, pai da engenheira Patrícia Franco, desaparecida desde junho de 2008, ficou estarrecido. "Isso não é protesto, é ato de vandalismo. Nossa família jamais faria isso nem nenhum dos nossos amigos. Repudiamos esse tipo de atitude", afirmou.

Até as 19 horas, o arcebispo do Rio, d. Orani João Tempesta, não havia se manifestado sobre o ataque. / COLABORARAM MARCELO AULER e TALITA FIGUEIREDO

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