Van cai em ribanceira e aluno de 12 anos morre

Perua escolar ocupada por 14 pessoas perdeu direção e parou em ribanceira de 30 m em Franco da Rocha

Leandro Calixto, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2010 | 00h00

Um estudante de 12 anos morreu ontem após a van escolar em que estava perder a direção e cair em uma ribanceira de quase 30 metros de altura na Estrada Santa Inês, em Franco da Rocha, Grande São Paulo. Estavam no veículo outros 12 alunos, com idades entre 5 e 17 anos, e a monitora e o motorista. Todos ficaram feridos sem gravidade.

Os alunos foram levados para o Pronto Socorro de Mairiporã, município vizinho. Um deles quebrou a bacia e outro, o braço. Os outros sofreram escoriações pelo corpo o braço. Já o motorista da perua, Marcelo Oscar, de 44 anos, e sua ajudante, identificada apenas como Raquel, de 47, foram levados para o PS de Franco da Rocha. Oscar, que tinha passagens pela polícia por tráfico de drogas e roubo, foi preso e indiciado por homicídio culposo (sem intenção). Segundo testemunhas, o veículo estava em alta velocidade e com os pneus carecas.

Desvio. O acidente ocorreu às 13h, depois que o veículo deixou o veículo deixou o Colégio Objetivo, no centro da cidade, e foi levar os alunos às suas casas. Segundo testemunhas, um Fusca branco estava andando na contramão. O motorista da perua teria tentando desviar do veículo, mas perdeu a direção e caiu do alto do morro. A van capotou até parar perto de uma represa. Identificado pela polícia, o motorista do Fusca, Josué do Prado, de 35 anos, foi preso e indiciado por homicídio culposo e omissão de socorro.

"Vejo esse acidente como uma fatalidade. Não é hora de procurar culpados. Entregamos nossos filhos para o colégio e nunca tivemos nenhum tipo de problema", disse o comerciante Walfran Feitosa Guerra, de 46 anos, pai dos gêmeos Marco Antônio e Marco Aurélio, de dez anos. Ambos estavam na van. O primeiro sofreu escoriações pelo corpo, enquanto o segundo quebrou a bacia. "Já conversei com meus filhos, que garantiram que a van não estava correndo", diz o pai.

Cinto. O aluno morto, Gabriel Sandis Magalhães, de 12 anos, que cursava a 6ª série, era um dos poucos estudantes que usava cinto de segurança. Com a queda, ele teria batido a cabeça e morreu no local. Os alunos foram socorridos por pessoas que passavam pelo local e também por policiais florestais.

Assim que souberam do acidente, os alunos do Colégio Objetivo foram para a frente do pronto-socorro para saber notícias dos colegas de escola. A diretoria e proprietária do colégio, a professora Ana Telian, era uma das mais abaladas. "A gente cuida destas crianças como se fossem nossos filhos. Eu faria tudo para ter o Gabriel de volta", afirmou a diretora.

Futebol. Uma partida de futebol fez com que Vitor Caldeira Matheus, de 12 anos, não estivesse na van acidentada, como faz diariamente ao lado de colegas. Ontem à tarde, ele resolveu ficar no colégio à tarde para jogar futebol. "Quando soube do acidente, entrei em desespero. Pensei que meu filho estava no carro. Só fui acreditar que estava vivo quando falei com ele pelo celular", disse a mãe de Vitor, Cláudia Matheus, de 41 anos.

Colega de classe de Gabriel, o estudante morto no acidente, Vitor disse que geralmente o motorista da perua escolar trafega "tranquilamente, mas, de vez em quando, dá uma corridinha". O aluno também revelou que apenas os estudantes menores são obrigados a utilizar o cinto de segurança. "Raramente uso. Não tem para todo mundo."

O pai de Vitor, o publicitário Sérgio Matheus, de 46 anos, não quis culpar o motorista da van, mas quer saber as causas do acidente. "Tudo bem que alguém entrou na frente dele. Mas para o carro cair daquela altura da ribanceira deveria estar em uma alta velocidade", afirmou.

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