Alex Silva/AE
Alex Silva/AE

Vai-Vai: a maior campeã da história

Escola do Bexiga levou seu 14º título com um enredo sobre o pianista e maestro João Carlos Martins; Peruche e Nenê de Vila Matilde caíram

Rodrigo Burgarelli e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

09 Março 2011 | 00h00

A Vai-Vai consolidou ontem sua supremacia no carnaval paulistano ao vencer pela 14.ª vez a disputa do Grupo Especial de São Paulo. A tradicional escola do Bexiga, na região central, é a maior campeã da história. Ontem, ganhou em uma disputa apertada, apenas 0,25 ponto à frente da Acadêmicos do Tucuruvi (veja quadro ao lado). As duas rebaixadas foram as que subiram no ano passado: Nenê de Vila Matilde e Unidos do Peruche.

A escola entrou na avenida com enredo em homenagem ao pianista João Carlos Martins, que virou maestro após perder parte do movimento das mãos. "Dedico o título ao meu pai Ogum, que está comigo na batalha, que não me deixa só", disse o presidente da escola, Darly Silva. "O título também é desse anjo, João Carlos Martins. É para você. A música venceu!", comemorou, citando o samba campeão. Este carnaval foi o mais caro da história da agremiação: foram gastos R$ 3 milhões.

O samba do enredo A Música Venceu! foi o mais cantado da primeira noite de desfiles. Em 36 alas, a escola contou a história do maestro de 71 anos, apontado como o maior intérprete brasileiro do compositor alemão Johann Sebastian Bach. Ao longo da apresentação, Martins se emocionou. "Passei o tempo todo chorando", disse, após descer do carro alegórico. Ontem, não pôde ir à festa no Bexiga, pois está nos Estados Unidos a trabalho, mas chorou ao saber da vitória pela mulher, a advogada Carmen Sílvia Valio Araújo. "Ele chega na sexta para desfilar (na apresentação das campeãs)." Após a apuração, Martins recebeu 52 ligações de congratulações.

A grande surpresa deste carnaval ficou por conta do segundo e terceiro lugares. Acadêmicos do Tucuruvi e Unidos de Vila Maria, duas escolas da zona norte, desbancaram favoritas como Rosas de Ouro e Gaviões da Fiel e ficaram perto de ganhar. Foi o melhor resultado da história da Tucuruvi. Já a Vila Maria repetiu o terceiro lugar de 2008.

O resultado foi tão comemorando que, para o presidente da Tucuruvi, Hussein Abdo El Selam, a agremiação foi a "campeã moral". "Somos de uma escola considerada de menor porte e ficamos a apenas 0,25 ponto da campeã. Nós fomos as grandes campeãs deste carnaval."

Rebaixadas. O presidente da Unidos do Peruche, Rodolfo Brico Filho, estava conformado com o rebaixamento já no segundo quesito. "Viemos para cá (para a apuração) fazer um tour, para cumprir o protocolo." A escola começou a apuração com 5 pontos a menos, por ter desfilado com um carro a menos que o exigido e estourado o tempo em três minutos. "Quando o abre-alas quebrou, percebi que chegamos ao paraíso (o Grupo Especial) para sermos jogados de volta ao inferno."

Menos conformada estava a diretoria da Nenê de Vila Matilde. "Foi um resultado injusto. Fizemos um belo desfile. Ainda não sabemos o que fizemos de errado", reclamou o presidente, Rinaldo Andrade. Este foi o primeiro carnaval após a morte do fundador da escola, seu Nenê.

O lugar das duas será ocupado pela Dragões da Real, campeã do Grupo de Acesso, e a Camisa Verde e Branco, segunda escola com mais campeonatos da história (9 títulos), vice-campeã.

Confusão. A apuração mais uma vez foi marcada por brigas. A confusão começou com a torcida da Gaviões da Fiel, que ocupava a arquibancada superior do sambódromo. Os torcedores se revoltaram com as notas e atiraram latas e garrafas nas outras torcidas. Fãs das outras escolas revidaram e a polícia teve de intervir. / COLABORARAM BRUNO PAES MANSO E PAULO SAMPAIO

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