Vaca da enchente é vendida por R$ 10 mil

Marido da artista que decorou a 'Princesa da Primavera' arrematou a obra em leilão beneficente da Cow Parade; evento arrecadou R$ 1 milhão

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2010 | 00h00

Até que a Princesa da Primavera, uma das mais sofridas vacas estilizadas da exposição de rua Cow Parade, teve um final feliz. Depois de quase naufragar nas enchentes do verão em São Paulo, a obra foi restaurada por sua autora, a artista plástica Alzira Fragoso, e arrematada anteontem por R$ 10 mil no leilão da exposição. A renda, R$ 1,05 milhão, foi revertida para cinco instituições beneficentes. Quem deu o último lance para levar Princesa foi o marido de Alzira, o funcionário público Cláudio Ferraz. "Temos uma chacrinha no interior, ela vai ficar lá", disse.

As vacas ficaram expostas entre 22 de janeiro e 21 de março em ruas, praças, shoppings e postos de gasolina da cidade. Princesa foi a segunda das 74 peças leiloadas por Roberto Magalhães Gouvea na Sala Tattershall do Jockey Club. O leilão teve lances cada vez maiores, até que um participante que não quis ser identificado pagou R$ 45 mil pela vaca de número 39, a São Paulo Mais Cowlorida. Pecuarista de Itu, deu o lance mais alto da noite.

A Vaca de Sampa, do artista Rique Pereira, em coma desde que foi agredido a golpes de taco de beisebol na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em dezembro, também foi arrematada por um comprador que não quis dizer o nome (era Fabio Herz, filho do dono da livraria). Levou a obra por R$ 17 mil. A vaca ficará com Rique e o dinheiro também será revertido em seu benefício. O rapaz fez ontem 22 anos.

"Acho que essa vaca foi mal anunciada. Se o leiloeiro tivesse dito que era do rapaz em coma, conseguiria uns R$ 50 mil. Eu mesma a levaria", disse a empresária da noite Lilian Gonçalves, que chegou ao leilão pensando em levar pelo menos duas vacas, e saiu com quatro. No total, desembolsou R$ 50 mil - a mais cara foi a de número 13, Passa a Mão Nela, que custou R$ 20 mil.

Apesar de muito colorida, a vaca foi ofuscada na hora da foto pela própria Lilian, que vestia tailleur pink, sandálias altas platinadas e meias pretas. "Ela (a vaca) tem tudo a ver comigo. Adorei o nome", disse Lilian, que vai colocar a obra na porta de um de seus restaurantes, o Siga La Vaca.

As vacas molestadas não se saíram mal. 100% Brasileira, que sofreu maus-tratos do público quando estava exposta na Faria Lima, recebeu o terceiro maior lance, R$ 31 mil. Cowddy, que também foi ridicularizada, saiu por R$ 11 mil.

Chiclete. Um jovem de 23 anos pagou R$ 21 mil por Cowxinhas de Chicletes, coberta de embalagens de goma de mascar. Pela pouca idade, despertou curiosidade. Disse que não poderia falar seu nome, apenas que trabalhava na empresa dos chicletes e estava ali como seu representante. Alcides Junqueira, de 19, estava autorizado pelo pai a gastar um X pela vaca que mais gostasse. Que X era esse? "O que estiver dentro do bom senso", disse, depois de dar o lance de R$ 14 mil por Vaca Cosmopolita, arrematada (sem bom senso?) por R$ 15,5 mil.

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