CLAYTON DE SOUZA/ESTADAO
CLAYTON DE SOUZA/ESTADAO

USP em São Sebastião mostra ‘lado B’ do mar

Centro de biologia localizado no litoral norte de São Paulo tem visita gratuita de 2h30 entre estrelas-do-mar e caranguejos

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2015 | 03h00

SÃO SEBASTIÃO -O biólogo, educador e guia Luciano Abel, de 40 anos, avisa já no início da visita. “Não podemos oferecer a vocês a experiência de nadar com golfinhos ou brincar com tartarugas e pinguins”, diz. “Não temos animais midiáticos. Nosso objetivo é mostrar o lado B da vida marinha.”

As crianças não parecem se importar. Aliás, o “lado B” parece atiçar ainda mais a curiosidade delas. E com essa explicação sincera começa a visita monitorada ao Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (CEBIMar/USP), em São Sebastião, litoral de São Paulo.

Com duração de duas horas e meia, o passeio é gratuito e recomendado para todas as idades. De segunda a sexta-feira, Abel acompanha um grupo de até 20 pessoas em uma excursão pela praia e por uma “sala de tanques e aquários” – que nada mais é que um ambiente ao ar livre, coberto por uma lona, em que os visitantes podem contemplar animais e corais. O guia ensina sobre a formação do ambiente marinho, e os impactos que ele vem sofrendo por causa da ação humana, além de propor atividades.

“A ilha de São Sebastião é uma das maiores ilhas marítimas do Brasil, com grande importância ambiental e natureza peculiar”, afirma Abel, da beira da Praia do Segredo, a primeira parada. “Proponho a vocês caminharem pela praia e observarem nas rochas e no mar elementos que acreditem não pertencer a este espaço. Tragam e depois vamos analisar juntos o que vocês encontraram”, propõe. Os participantes percorrem a orla em busca de materiais como lixo e as crianças ficam animadas em poder ajudar.

Mas a parte que elas mais gostam é quando chegam aos tanques de água salgada. “Posso pegar na mão?”, é a frase mais ouvida de Ana Luiza Buck, de 8 anos, enquanto aponta para os animais estranhos, alguns com aparência gosmenta. É assim, ouvindo Abel, olhando e tocando nos bichos, que ela e as outras quatro crianças que participam do passeio aprendem sobre pepinos-do-mar, ouriços, mães d’água, estrelas-do-mar, anêmonas e caranguejos. Quando Abel aponta a lanterna para dentro do tanque e pergunta “o que temos aqui?”, a resposta é um “óun” em uníssono: sob a pedra, havia um cavalo-marinho.

Conhecimento. “Viemos de São Bernardo direto só para fazer essa visita. Estudo Biologia, então todo o conhecimento é válido”, disse Mara Soares Lopes, técnica de laboratório de 28 anos. Acompanhada da família, ela voltaria no mesmo dia para São Bernardo. “Como educação ambiental, é muito importante. E eu que trabalho com coordenação pedagógica digo que quem tem de guiar um passeio desses é uma pessoa da área, um biólogo. Tem de dominar a matéria, como aconteceu aqui”, elogiou a professora Mariângela Bueno, de 57 anos.

O casal Tânia Viel, de 42 anos, e Hudson Buck, de 45 – pais da Ana Luiza e de Alexandre, de 10 –, aproveitaram a semana de férias no litoral para conhecer o CEBIMar e levar os filhos para um passeio diferente. “As crianças estão espantadas com as informações sobre a estrela-do-mar”, disse Tânia, em voz baixa. Abel havia explicado que é normal capturar esse animal, matá-lo e vendê-lo como enfeite. “Mãe”, disse Ana Luiza, “vou arrancar a estrela-do-mar da porta da casa da vovó e trazer para cá”, afirmou ela, decidida.

O maior desafio, para Abel, é divulgar o programa. “Não temos infraestrutura como instituição de divulgação. Não somos voltados ao atendimento do público, porque o foco é ensino e pesquisa”, diz. “Nossa estrutura é improvisada<IP9,0,0>, mas queremos manter as visitas porque a universidade é pública e o mais importante é transmitir nosso conhecimento à sociedade.” Interessados podem inscrever-se no passeio pelo site do CEBIMar (cebimar.usp.br), até o fim de janeiro.

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