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Uso de drogas degrada entorno da Sala São Paulo

Comerciantes e frequentadores da Júlio Prestes reclamam de insegurança e abordagem de viciados na área; SSP diz que policiamento é permanente

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Juliana Diógenes,
O Estado de S. Paulo

23 Janeiro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Frequentadores da Sala São Paulo, principal casa de concertos, no centro da capital, e comerciantes da região queixam-se de degradação, abandono e insegurança na Praça Júlio Prestes, localizada ao lado da cracolândia. Eles afirmam ter notado aumento da circulação de dependentes químicos e pedintes. A Secretaria da Segurança Pública diz que a interlocução com a Secretaria da Cultura – instalada no mesmo edifício – é permanente a respeito da vigilância no entorno.

O estudante de Direito Giovanni Cordeiro, de 21 anos, que frequenta a sala, destacou o aumento de usuários de drogas na calçada. “Na lateral, você vê muitos dependentes dormindo. Isso incomoda. Quem está saindo do trem indo para a área de espetáculos se incomoda. Fica com medo”, afirma. Cordeiro relata que amigos já foram vítimas de “abordagens” por parte dos viciados. “Muitas vezes, ele são muito agressivos. É muito perigoso, por exemplo, para uma senhora sair (da sala) à noite e ficar ali fora esperando táxi”, diz.

Joselito Lima, comerciante de 46 anos, explica que os usuários pedem dinheiro “já intimando”. E aponta casos de furto e roubo na região. Motorista há 16 anos na Secretaria da Cultura, Roberto de Oliveira, de 63 anos, diz que o comércio no entorno da sala “está prejudicado” em função da “multiplicação de usuários de droga”. “Piorou muito. Antes, eles não ficavam no semáforo pedindo. Agora, estão começando a ficar.”

Assinante de concertos, o arquiteto e ouvidor do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU-SP) Affonso Risi, de 69 anos, considera a Sala São Paulo “um milagre” em meio ao centro da capital. O arquiteto pede que os órgãos públicos tratem com cuidado a região, que, a seu ver, está “feia”. “Dá uma tristeza ver aquele espaço mal gerido. Vejo a pobreza em volta, a sujeira, o descaso. Logo que a sala foi inaugurada (em 1999), foi feita uma praça muito bonita. A entrada era pela praça, que foi destruída. Hoje está impraticável”, diz.

Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que a PM “realiza patrulhamento preventivo” no entorno e, de janeiro a novembro de 2015, 189 pessoas foram presas na área e dez armas de fogo, apreendidas. Já a Secretaria da Cultura reforçou a parceria com SSP e observou que a área tem “complexa dinâmica social em função da epidemia do uso de crack”. Procurada, a Subprefeitura da Sé informou que a praça recebe serviços de varrição todos os dias e de lavagem semanalmente, mas fará uma vistoria na área no dia 26.

A Secretaria da Cultura do Estado informou, em nota, que mantém interlocução permanente com a Secretaria de Segurança Pública e Guarda Civil Metropolitana a respeito da segurança do entorno do Complexo Cultural Julio Prestes. Disse, ainda, que, com os cuidados tomados, "a Sala São Paulo segue mantendo um alto índice de ocupação nos concertos". 

Higienista. O padre Júlio Lancellotti, vigário episcopal para o povo de rua da Arquidiocese de São Paulo, lamenta as críticas. “São Paulo é uma cidade que tem vocação higienista, quer que os pobres desapareçam.”

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