Única igreja de Paraitinga ameaça ruir

Única igreja de Paraitinga ameaça ruir

Diocese de Taubaté busca um patrocinador para custear reforma de templo que resistiu à enchente; obra custará cerca de R$ 3 milhões

João Carlos de Faria, O Estadao de S.Paulo

04 Abril 2010 | 00h00

Único templo de São Luís do Paraitinga a permanecer de pé após a enchente que castigou a cidade no início do ano, a Igreja Nossa Senhora do Rosário ameaça ruir se providências urgentes não forem tomadas. A Diocese de Taubaté, no Vale do Paraíba, busca um patrocinador disposto a financiar as obras necessárias.

Durante a tragédia de janeiro, a Igreja Nossa Senhora do Rosário serviu como depósito para as doações que chegavam à cidade, vindas de todas as regiões do Estado. Se a igreja cair, a cidade fica praticamente sem um templo religioso para suas celebrações, já que a Igreja Matriz São Luís de Toloza e a Capela das Mercês foram completamente destruídas pelas águas.

A igreja está parcialmente interditada desde 2003 e, de acordo com um laudo expedido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), corre risco de ruir. O principal problema está no telhado e nas calhas, que precisam de reformas urgentes, além da pintura e dos afrescos que estão desaparecendo.

De acordo com a arquiteta Lívia Vierno, da Diocese de Taubaté, o laudo do IPT é "um pouco exagerado e apenas chama atenção para a precariedade da situação". Segundo ela, uma peça da nave central cedeu e coloca em risco a estrutura do templo.

Custo. A arquiteta já elaborou um projeto para a restauração da Igreja do Rosário, mas há dois anos procura a parceria de empresas que se proponham a financiar o custo da obra, orçada inicialmente em R$ 1,45 milhão. Atualmente, o custo é de cerca de R$ 3 milhões, com um novo projeto elaborado por ela.

"O projeto chegou a ser liberado para captação de recursos por meio do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), do Ministério da Cultura, mas o prazo venceu em novembro de 2009 e não conseguimos o dinheiro, apesar de termos batido em muitas portas", afirma. Lívia conta que muitas empresas consultadas alegavam que a igreja não tem visibilidade. "É difícil captar recursos numa situação dessas, quando não há interesse do patrocinador", lamenta.

Responsabilidades. O historiador e ex-vereador Marcelo Toledo considera a situação bastante complicada e lembra que a responsabilidade não deve ser apenas da Diocese de Taubaté. "A responsabilidade deve ser compartilhada com o município e com o Estado, já que se trata de um patrimônio importante para a cidade e para o Estado", avalia. Ele ressalta que, por ser uma obra de restauração, o custo é realmente muito alto.

Atualmente, as missas estão sendo celebradas no centro de pastoral da paróquia e, pelo visto, ainda devem demorar um pouco para voltarem a ocorrer na Igreja Matriz de São Luís de Toloza. Lívia, que também é a arquiteta responsável pelo projeto de reconstrução da igreja que foi destruída pelas chuvas, afirma que até o final deste mês deve finalizá-lo para que comece a ser executado. A igreja, segundo a arquiteta, será reconstruída com estrutura de concreto armado e alvenaria. "Por fora ela vai ficar exatamente como era antes", afirma a arquiteta.

Em fevereiro, um mês após o temporal que arrasou a cidade, o terreno da Igreja da Matriz foi cercado por tapumes para que operários pudessem recolher os objetos históricos. Pela importância e pelo simbolismo que tem para os moradores, a reforma da igreja matriz é tratada como prioridade pela prefeitura no processo de reconstrução de São Luís do Paraitinga. A obra deve ser concluída em 2012.

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