Uma forma diferente de canonização

O padre José de Anchieta, cofundador da cidade de São Paulo, será canonizado sem os dois milagres geralmente necessários: um para a beatificação e outro para a canonização propriamente dita. Os canonistas chamam este procedimento de "canonização equipolente" (equivalente), pois equivale ao processo normal para declarar que determinada pessoa morta se encontra junto de Deus, no céu, intercedendo pelos que ainda vivem na Terra.

ANÁLISE: Edson Luiz Sampel, doutor em Direito Canônico, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2014 | 02h06

O papa Francisco vai assinar um decreto canonizando o jesuíta. O processo de Anchieta teve início em 1597, ano de sua morte, e se arrasta há 417 anos. Houve muitos percalços, incluindo dificuldades financeiras e até a supressão da Companhia de Jesus, em 1773. No entanto, recentemente, o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, cardeal Angelo Amato, vislumbrou a possibilidade de mudar de estratégia, com a canonização equipolente.

Na canonização equipolente são três os requisitos básicos: 1) a prova do culto antigo ao candidato a santo; 2) o atestado histórico incontestável da fé católica e das virtudes do candidato; 3) a fama ininterrupta de milagres intermediados pelo candidato. Anchieta preenche as três condições. São inúmeros os milagres e graças atribuídos à intercessão dele. Veneram-no como bem-aventurado não só gente de São Paulo, mas fiéis do Brasil e das Ilhas Canárias, local onde Anchieta nasceu.

Esta forma de canonização já foi empregada pelo papa Francisco, quando, por decreto, elevou aos altares Angela Foligno (outubro de 2013) e Pedro Favre (dezembro de 2013). Os católicos podem ficar seguros de que a praxe a ser adotada no caso de Anchieta goza do mesmo atributo das canonizações usuais, em que são exigidos os dois milagres. Da mesma forma que a Companhia de Jesus se expandiu avassaladoramente em pouquíssimo tempo, São Paulo progrediu miraculosamente, talvez graças ao toque inicial de São José de Anchieta e Padre Manoel da Nóbrega.

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