'Truques' aumentam risco de acidentes

Andar com placa dobrada e escondê-la com a mão são táticas para fugir dos radares

Bruno Tavares e Renato Machado, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2010 | 00h00

Ao contrário dos motoristas de automóveis, ônibus e caminhões, os motociclistas conseguem escapar das multas com pequenos truques. Mas essas artimanhas aumentam o risco de acidentes e contribuem para dar às motos o segundo maior número de mortes no trânsito da capital paulista. As próprias autoridade contribuem para essa impunidade quando colocam radares de fiscalização de velocidade voltados para a dianteira dos veículos ? motos só têm placa traseira.

A estratégia mais comum para escapar da fiscalização é justamente escondê-la com uma das mãos ao passar perto de radares ou de agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A situação é cada vez mais comum, uma vez que a legislação não permite que "marronzinhos" parem os veículos para verificar esse e outros problemas ? uma atribuição exclusiva da Polícia Militar (PM). "Muito marronzinho está em um local só para flagrar a gente e não para dar mais segurança. Por isso, colocamos a mão na placa", diz o motoboy A.S.

A situação não é diferente em relação aos radares paulistanos. Os dispositivos que detectam a velocidade não estão colocados em toda a largura das vias e por isso há "pontos cegos". "É comum vê-las trafegando bem perto das calçadas e isso é perigoso para os pedestres", observa o consultor de trânsito e mestre em transportes pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Sérgio Ejzenberg.

Radares. O quadro é agravado na capital porque muitos radares de velocidade estão colocados para a dianteira dos veículos. A mudança ocorreu a partir de julho de 2008, quando tiveram início as restrições à circulação de caminhões no centro expandido e em vias principais, como a Marginal do Tietê. Como a placa que vale para a regra é a do próprio caminhão ? e não da carroceria ?, os equipamentos precisaram ser mudados de posição para flagrar a parte da frente.

Pelo menos 38 radares fixos de velocidade encontram-se voltados para a dianteira dos veículos, praticamente um terço do total desses equipamentos. Lombadas eletrônicas também flagram somente a frente dos veículos. A CET informa, no entanto, que outros tipos de equipamentos conseguem detectar a parte de trás. Como os 13 radares móveis espalhados pela cidade e os que flagram quem passa no sinal vermelho ou invade uma faixa exclusiva de ônibus.

Restrições. A impunidade também pode se manter com os "radares pistolas", que a Prefeitura pretende utilizar na fiscalização das proibições de circulação em algumas vias da cidade. A Secretaria dos Transportes já afirmou que vai ainda neste primeiro semestre proibir as motos na Avenida 23 de Maio, na tentativa de reduzir os acidentes. Em até seis meses será a vez da pista expressa da Marginal do Tietê (veja debate sobre a eficácia das proibições ao lado). /

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